segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Aniversário de UM ANO da Fábrica de Sonhos!!!!

Olá Sonhadores!

UM ANO DE FÁBRICA!

Um ano que a Fabricante de Sonhos existe!
Juro que, quando fiz a primeira postagem, não pensei que iria tão longe!
A vida tem me consumido de tal modo que pouco tempo tem restado para me dedicar ao blog.
Acredito que em certa fase da vida, muitos aqui já passaram por isso.
Mas tive que driblar o tempo e o reinventar para vir aqui hoje compartilhar com vocês a minha alegria! Dividir com vocês a felicidade de fabricar sonhos, de proporcionar sonhos, de viver, escrever e inventar sonhos...
Aproveito para agradecer a todos, pelos comentários, pelo apoio, pelas palavras e pelo carinho que sempre tiveram comigo e com esse cantinho aqui!
Isso me renova! Me motiva!
Obrigada por sonharem comigo!


Preciso agradecer a alguns amigos especialmente:
Dani Z, Malú, Wagner Kaioas, Xana, Kesso, Luan Fernando, Érica Ferro, Joseane Costa, Deathtagrazyta, Pedro Antônio, Rebeca e Jota Cê, Annie Manuela, Lêda, Eduardo Poisl, Saulo Prado, Nike, e Tia Lili por serem constantes aqui, por cobrarem meus textos quando demoro a postar e por me servirem como inspiração.
MUITO OBRIGADA MESMO!


E agredeço ao meu anjo, meu amor, meu namorado e amigo, TIAGO MARINS.
Ele que incentivou a criação desse blog.
Ele que dá asas aos meus sonhos.
Ele que me mantém em equilíbrio.
Ele que é a felicidade resumida...
Muito obrigada!

Ele, que fez um texto para que fosse postado aqui, especialmente hoje. No Aniversário do blog! No dia da Fábrica!

Obrigada mesmo, pessoal!
Beijo enorme!

Milla Borges

*** *** *** *** *** *** *** *** ***

"Das coisas boas que eu tenho nessa vida, ela é a melhor. É a mulher que me faz feliz e que me completa. Que me deixa louco apenas com um simples toque, que me paralisa somente com o olhar, que para minha respiração com o sorriso. E num instante me devolve tudo isso com um beijo. E me renova.
Tem o maior coração do mundo. Puro. Mesmo castigado pela vida mantém-se inocente. É guerreira. Luta contra os maiores monstros sem armas. Flores para atacar e sua própria alma como escudo. Entrega-se à vida inteiramente. Expõe-se sem medo de se ferir. E se fere.
Tem uma fonte inesgotável de amor para dar. Mas precisa ser amada. Precisa ser protegida. Precisa ser princesa.
Tem um olhar tão penetrante quanto um punhal. Que fere quando quer, mas que é capaz de curar no mesmo instante. Fascina. Externaliza todo amor que tem dentro de si. Seus olhos são janelas da sua alma. E olhando bem no fundo deles, vejo uma menina que se esconde atrás de uma mulher forte e independente, mas que é apenas uma menina. Com todos os seus medos e inseguranças.
É linda mesmo. Tem uma beleza singular. Única. E torna-se mais linda pela sua inteligência. Questionadora. Conflituosa. Virtuosa. Pensante. E sendo assim, torna-se insone. É da noite e não do dia. Tem uma luz própria que ilumina qualquer escuridão que possa estar. Leva a vida até as últimas consequências. Não desafia a vida, mas não tem medo de desafiar a morte.

É a minha princesa e por ela quero viver. Quero me perder nesse mundo misterioso e tão cheio de contradições. Quero correr os seus riscos e salvá-la no último momento. Quero emocionar-me com a sua felicidade. Quero dividir as suas tristezas. Quero orgulhar-me do seu talento. Quero ser ferido por seus olhares. Quero ser refém da sua beleza. Quero viver o dia por ela e dar minha noite para que ela possa brilhar. Quero beijos intermináveis e não quero jamais sentir-me saciado do seu amor. Quero sim, desejar-te cada instante mais e mais e mais e mais e mais... quero ler suas entrelinhas e me apaixonar a cada verso teu. Quero ser a sua poesia. Quero ser inteiramente seu!"



Parabéns por esse primeiro ano de blog completado. Agradeço em nome de todos por nos brindar com poesias tão sinceras.
Obrigado!

Eu te amo, meu amor!

Tiago Marins

sábado, 24 de outubro de 2009

Mais um conto de (des)afeto ou de amor (im)próprio.



Caminhava de volta pra casa, com o gosto amargo da despedida na boca, a se misturar com o doce que restava nos lábios daquele último beijo.
Apesar de todas aquelas luzes, barulho e movimento na rua, criou para si um deserto e ali ficou, perdida em suas lembranças, seus sentimentos e seus desafetos.
Tentava desesperadamente acalmar seu coração.
Aquele coração tolo e intransigente, desprovido da razão e nem tão emocionado assim. Aquele coração impulsivo que pulsava acelerado toda sua indignação com o abandono, toda a tristeza de quem se sente só.
Mas não havia espaço para a calma.
(Não há espaço para a quietude, quando as fichas caem).
Havia apenas um vazio.
Ela caminhava e refletia...
Tornou-se uma pessoa amarga e admitia o seu egoísmo.
Tinha aquele amor como seu e o via inabalável.
Só que ela esqueceu que amor é via de mão dupla...
É troca.
Tanto que achando que amava o outro, não percebeu que deixava de cultivar o tal amor...
Ela só conhecia o amor próprio. Do jeito mais impróprio possível...
E estava claro, que uma hora o outro ia cansar.
Cansar de amar pelos dois, de amar sozinho.
Cansar de ser sempre o único a compreender, a perdoar.
Cansar de se doar sem retorno, de viver em função de alguém que caminha a sua frente e não ao seu lado...
Eis que o outro cansou...
O outro pôs um fim naquilo que poderia ter sido tudo... Só não foi (e não teria jeito de ser) amor.
E ela, tão segura de si e dona das suas verdades. Ela, tão forte, se fragilizou.
Continuava caminhando e chegou a sentir pena de si mesma.
Reconheceu, rápida e lúcida, que ela própria foi quem construiu a estrada que a levou até tal ponto.
Quis chorar.
Tentou se arrepender...
Parou.
E por um momento cogitou a possibilidade de voltar, de pedir para que o outro ficasse, para que o outro não a abandonasse.
Diria a ele que mudaria, que seria diferente, que...
Súbito, voltou a caminhar de volta pra casa.
Aquele coração era orgulhoso de mais.
Sabia que não mudaria sua essência.
E na volta pra casa, em meio ao seu deserto, envolvida em seus pensamentos, perdida nas sensações, fascinada e assustada com sua fragilidade, tomou para si como verdade a seguinte conveniência que inventou para seu coração:
Na vida, há aqueles que nascem para amar. Há aqueles que nascem para serem amados. E raros são os que amam e são amados mutuamente.
(E quem decide? De quem é a escolha? De quem parte a mudança, se esta for possível?)
Ninguém tem culpa.
E ela também não teve.


Milla Borges

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Menino



O semblante era aquele terno de quem espera um sorriso.
O sorriso simples que se vier, vem com pena, de um semblante terno.
Uma pele preta, olhos úmidos e o tempo seria de brincar.
Mas a fome não tem tempo nem é terna.
Não é brincadeira.
Ela dói.
Era menino.
E ele menino, brincou de trabalhar.
Mas trabalho não é simples e quem passa tem pressa.
Não tem tempo para um sorriso, nem para se importar.
E por que se preocupar?
Ele não é o meu menino...
Mas eu tenho um sorriso e não me custa ofertar.
Simples e com pena.
Não tem como não doer.
E eu também tenho pressa.
Que fazer com o menino?
Que fazer pelo menino?
O sorriso do menino, em resposta ao meu sorriso, fez a lágrima rolar.
Será que ele tem nome?
Qual será a sua história?
Dá vontade de ajudar...
Ah, menino...
Que Papai do Céu te ilumine, e te proteja.
Que permita o seu sorriso.
Ah, menino...
Que quem passa tenha tempo de no mínimo pensar.
Que quem passa tenha ao menos um sorriso pra te dar
Ah menino...
Me desculpa, eu tenho pressa...


Milla Borges

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Baseado em fatos reais

Sonhadores!
Volteiiii!
A vida me levou por caminhos tão diferentes e eu sempre resistente às mudanças, não consegui dar conta de tudo aquilo que me faz bem. Fraqueza? Não... É só a minha eterna briga com o tempo... Essa norma que me aprisiona...
24 horas nunca são suficientes...
Mas o importante é que eu VOLTEI!!!! E tava com saudades mesmo dessa minha fábrica e dos meus sonhadores... Êêêê coisa boa!!!! E aos poucos vou visitar os blogs amigos, sempre comigo.... Minha força vem de vocês. Depois de mim...
Que vocês saibam disso!
Estou retomando um sonho antigo e isso tem tomado todo o meu (pouco) tempo!
Mas a felicidade está comigo e isso para mim, é o que verdadeiramente importa!

Sem mais delongas, texto para quem gosta:

Baseado em fatos reais

Cada passo dado em frente, deixava marcado no chão uma mancha com formato de pétala.
E foi assim que ela seguiu.
Despedaçou pelo caminho muitas flores, por inveja e foi castigada com a dureza das pedras.
E foi assim que ela caiu.
No chão, rolou na lama, de pirraça e perdeu as unhas cravadas ao solo para que tivessem dó.
E foi assim que ela sofreu.
Bebeu as próprias lágrimas, de sede e de vontade de berrar, mas se calou e sem apoios se pôs de pé.
E só então se reergueu.
Cada passo dado em frente não deixava marcas, que o vento apagava e o vento a empurrava diante de um espelho.
E foi assim que ela se viu.
Desgrenhada e insolente de olhos inchados e nariz vermelho, de bochechas debochadas que ardiam e eram tristes.
E só então ela sorriu.
Deu as costas para o mundo de conceitos e formatos, abrindo a porta da saída de emergência, para a fuga perfeita.
E foi assim que ela correu.
Dessa vez com o vento contra, lado a lado com a sombra solitária que fazia companhia, viva e irresponsável.
E foi assim que ela sentiu
Cada passo dado em frente, marcava uma etapa e marcava a memória, sendo forte e corajosa para despir-se de si mesma.
E só então ela cresceu
Recolheu as dores do que foi, e se havia sido serviu, transpirando a inquietação de uma descoberta simples que aceitou.
E foi assim que ela morreu
Recriou sua caminhada de tropeços e quedas, de alegrias profanadas sem abandonar todo caos e leveza que nela se instalou.
E só então se permitiu
Cada passo dado em frente era seguro e consciente do objetivo que escolheu, sem segurança ou consciência, que arriscou, acreditou.
E ela enfim renasceu.


Milla Borges

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Uma garota de sorte...




Foi numa manhã que tudo se deu.
Numa manhã bem fria e ainda escura.
Uma dessas manhãs que se acorda muito antes da hora e não se consegue mais dormir.
E foi nessa tela que surgiu um quadro abstrato, de traços retos e muitas cores.
Pintei com tinta óleo e algumas idéias... Sem muito sentido, mas com muita alegria...
Ao terminar, agradeci. Simples...
Agradeci.
Essa, foi uma maneira singela que encontrei para agradecer a tudo e todos que fazem de mim uma pessoa mais feliz, trazem a mágica para minha vida e me fazem tão bem!


“Enquanto a cidade ainda está dormindo,
Eu vejo a vida da minha janela.
O sol está quase surgindo
Para pincelar esta linda tela.
Penso no quanto sou feliz
E agradecida por tudo
E nessa manhã Deus me diz
Em seu sussurro mudo,
Que me ama intensamente
E me faz pensar na vida.
Avalio o meu presente
E vejo o quanto sou querida!
Tenho amigos incríveis,
Que estão sempre comigo
Nos momentos possíveis,
Sendo pra mim um abrigo.
Tenho um amor verdadeiro,
Que faz de mim princesa...
Sempre atencioso e companheiro
Dando a minha vida mais beleza!
Tenho amor dos meus familiares
Que por vezes não reconheço,
Mas que amo aos milhares
Esse carinho que nem mereço.
Tenho minhas idéias e escritos
Para os sonhos, uma fábrica inteira...
Tenho a arte e os conflitos
Coisa séria que vira brincadeira!
Tenho ainda, amigos virtuais.
Que não vejo, mas posso sentir.
Eles existem e são especiais,
E fazem a fabricante sorrir
Tenho as flores e o céu.
Tenho ruas e a cidade.
Cubro esta tela com fino véu,
Para ter sempre a felicidade
Mas que tudo tenho a mim.
Tenho a música e minha voz!
A força do “não” e o doce do “sim"...
Tenho meus contras e meus prós.
Tenho uma vida incrível,
Bem ao alcance das mãos
Tenho o inatingível, o incabível...
Na tela de tinta, varias demãos.”

Milla Borges


quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Ele & Ela



Ele foi um menininho calmo. Ela, uma garotinha agitada.
Ele foi uma criança doce e obediente. Ela, malcriada e levada.
Ele se tornou um adolescente tranqüilo.
Ela se tornou uma adolescente rebelde.
Mas ambos tinham no peito um coração bom...
Ele estudava e aprontava no colégio, afinal, não era santo.
Ela matava aula, e aprontava fora do colégio, porém, sempre passou direto.
Ele sorria pouco e o fazia sempre de maneira discreta.
Ela transformava tudo em drama e gargalhava muito alto.
Ele, músico. Ela, atriz.
Ele, criado da maneira convencional: Mãe, pai, irmãs, todos debaixo do mesmo teto.
Ela, filha de pais separados, criada por tia e avó, tinha amizade com a mãe e perdeu o pai aos dezoito.
Ele fez durante um tempo faculdade de psicologia. Ela fez análise por alguns anos.
Ele tomava uma cervejinha. Ela se utilizava de artifícios ilícitos para se entorpecer.
Ele ia à missa. Ela, em boates.
Um dia, o destino cruzou seus caminhos e o acaso os uniu...
Por quê? Tão diferentes...

E quem pode com o acaso?

Ambos tinham seus respectivos compromissos, supostos amores...
Mas algo inexplicável os aproximava cada vez mais.
Ele que falava pouco. Ela que falava demais...
Ele que precisava de asas. Ela que precisava de freios.
Ele que queria correr riscos. Ela que queria paz e segurança.
E toda falta de afinidade, virou um grande amor.
De verdade.

E quem pode com o acaso?

Só ele conseguia acalmá-la e só ela preenchia suas pausas.
Um dia, estavam livres um para o outro e não precisavam mais se beijar escondidos.
E o beijo era o encaixe perfeito.
(Ainda é).
E ela foi à missa com ele. Ele na boate com ela.
Ela mudou por ele. Ele mudou por ela.
Quem diria...

E quem pode com o acaso?

Hoje ela é uma pessoa melhor e mais feliz.
E ele também é.
Ele nunca se sentiu tão amado.
E ela também se sente assim.
Acima de tudo, são grandes amigos. Sabem que podem contar um com o outro.
Ele mudou a vida dela. Ela mudou a dele.
Todas as diferenças os fortaleceram.
Eles amadureceram juntos. E continuam amadurecendo...
Eles se completam.
Metades.
E sabe? Vão se casar...

E quem pode com o acaso?

Milla Borges

terça-feira, 28 de julho de 2009

"Nós poético"



Papel picado e velho.
Amassado.
Bebida com gosto de menta.
Vai ser assim se ficar do meu lado.
Embalado por música lenta.

Semente de riso e choro.
No frio vai ter seu abrigo.
Um amor antigo.
Nossa história cantada em coro.
Somente se ficar comigo.

Um pouco de calma e tormento.
Pode ser isso, se assim me quiser.
Vozes sussurradas ao vento.
Às vezes um lamento.
Uma metade menina, a outra metade mulher.

Não haverá um “eu poético”.
Eu sem você sou nada.
Poesia real e conto cético.
Creio em “nós poético” nessa estrada.
Se me quiser apaixonada.

Sombras e luzes no ato.
Chuva de beijo e nenhum enfeite.
Sonho épico, realidade lírica é fato.
Sem assinar contrato.
Assim será caso me aceite.

Porque somos feitos de palavras...


Milla Borges

domingo, 19 de julho de 2009

Do meu jeito



Nem pense em me deixar partir.
Não admita o meu abandono.
Me segure pelo braço e faça uma declaração de amor.
E fale baixinho, porque gritos me aborrecem.
Nesses momentos eu sempre prefiro o silêncio, você sabe disso...
Apenas, peça para que eu fique. E faça isso da maneira mais doce que você conseguir.
Não pareça, nem tente ser autoritário, senão eu fujo.
E se eu começar a chorar, deixe...
Caso eu banque a louca, compreenda. Ou pelo menos finja que me entende. Você me conhece e sabe que minutos depois da crise, os soluços passam e a lucidez retorna.
Nem pense em me obedecer se por acaso eu te pedir para sumir da minha vida.
E se eu te mandar ir embora, fique.
Não me peça motivos ou explicações. Isso acaba comigo.
E não seja tão sensível. Pelo menos, não me deixe perceber o quanto é...
Eu conheço você. Cada expressão do seu rosto.
Sei exatamente o que você pensa, e não duvido do seu amor. Só que não admito isso.
Sim. É orgulho sim.
Olha, fale umas coisas bobas sobre sentimento... Faça algumas promessas simples, que nós dois sabemos que você não vai cumprir, mas faça assim mesmo. Você sabe que eu vou acreditar.
Eu sempre acredito.
Diga que eu fico linda quando fico louca. Gosto disso.
Diga também que você adora minha cara de raiva.
Você sempre consegue arrancar um sorriso meu quando fala assim... Eu odeio na hora! Mas só pra depois eu relembrar que nosso amor não tem tamanho...
Não me deixe passar pela porta.
Esconda a chave.
E se por ventura nada disso me contiver, use a força.
Me empurre contra a parede, olhe diretamente nos meus olhos e me beije.
Vou relutar... Continue.
Eu sempre acabo cedendo... Não resisto a você.
E adoro esses clichês.
Me mima... Desse jeito que só você sabe.
E por fim, me ame... E me deixe dormir encostada no teu peito.

Milla Borges

quinta-feira, 9 de julho de 2009

E ela é dessas



Nem sempre lúcida, às vezes plácida
Totalmente pálida

E ela é doce.

Tem dias que brilha, em outros se apaga
Vestindo transparência
Fosse pra onde fosse

E ela é linda.

Olhar marcante, meios sorrisos
Gestos rápidos e objetivos
Tem a voz rouca,
Ideal para seus gemidos
Frívola

E ela é louca.

Sai sem destino, não dá notícia
Seus horários são distorcidos
Ela não sonha
Virando noite, dorme de dia
Suas palavras não tem sentido

E ela é forte.

Conta mentiras, ri muito alto
Brinca com a morte
Só sai de casa se for de salto
Não sente medo
Tem muita sorte

E ela é esperta.

Mesa de bar é seu ambiente
Desapegada, está sempre certa
Ela é direta
Muito sagaz e inteligente
Está sempre alerta

E ela é querida

Não telefona, não faz promessas
Não tem pudor
É atrevida
E é tão livre e independente
Indiferente

E ela é dessas.

Ela é da vida.


Milla Borges

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Páginas



São os ventos soprando
É a vida que toma outro rumo
Eu passo por ela sonhando
Os sonhos de fé e consumo
A estrada é sinuosa
Cada curva é uma cilada
Mas sigo impetuosa
Em frente minha jornada
Se encontro uma armadilha
Uso a magia dos versos
De tudo se desvencilha
Os meus poemas dispersos
É sonho fingindo que é vida
É vida virando história
E eu a ser conduzida
Brincando de criar memória
Passam pessoas e fatos
Provocando os meus sentimentos
Entre verdades e boatos
Entre pausas, pontos e acentos
Nas palavras desse presente
Meu futuro se profetiza
Nas páginas do “atualmente”
Me tornei assim poetisa


Milla Borges

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Numa madrugada...



Já são oito cigarros da madrugada e o sono insiste em não voltar pra casa.
Há duas doses atrás, de uma bebida qualquer, eu estava em paz, mas aqueles erros todos resolveram me visitar. Um motim de erros, todos contra mim.
Um capítulo lido e relido por mim esta noite.
Penso neles porque só eles me fazem companhia agora e rezo porque já viraram fantasmas.
Eu rezo e eles não me assustam.
A noite corre e eu fumo e eu bebo e tento entender o porquê de todos aqueles erros, naquelas datas. Analiso friamente o passado e vejo quantas oportunidades de acertar eu já desperdicei.
Enfim... Passado.

A culpa vem também e não adianta trancar as portas e janelas da sala, pois ela entra pelas frestas e se instala em mim. Superficialmente. Fica em mim.
Por algum motivo estranho não me preocupo, não me abalo (deveria?). Fumo apenas.
Deve haver algum antídoto para esses sentimentos ou uma dose mais forte de um entorpecente qualquer.
Alguma coisa que me anule agora.
Deve haver algum sentido...
A noite continua seguindo o seu rumo de noite, fazendo o seu papel. E eu me dissolvo na fumaça espessa do cigarro.
Os meus olhos pesam e a poltrona é macia.
Corrijo mentalmente cada erro que me recordo e me absolvo.
Já tive muitas dores... Não vejo necessidade de me machucar ainda mais.
É mais fácil, eu me perdoar e assim eu faço.
Amém.
Admito esse ato de covardia, pois o que mudou em meu interior só eu sei.
A verdade é que só interessa a mim, saber
Mas a culpa vem... Uma hora ou outra. Vem.
Um gole, um trago. E eu relaxo...
De forma peculiar, não me sinto mais a mesma, a mesma daqueles erros.
Sou outra, sou nova para cometer erros novos...
A noite, mais triste e sozinha agora (a noite, não eu...) dá seu primeiro sinal de despedida.
Eu e a noite só temos uma coisa em comum: essa frieza.
E quanto àquela que fui, só o cigarro permanece o mesmo.
Cinzeiro cheio, copo vazio, cabeça cansada e o sono retorna.
Nem me dou ao trabalho de ir para cama.
Fico pela sala.
Prefiro a poltrona, que é nova como eu.


Milla Borges.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Eu vou cuidar de você.





Traz seu lamento até mim
E por mim se sinta acolhido
Toda dor tem o seu fim.
Seja pela paz, atingido
De modo que a felicidade retorne,
Aceite o meu colorido
E deixa que a cor entorne
Sobre seu olhar aborrecido
Toda a energia positiva
E seja por ela envolvido.

Esta é uma alternativa.
Acredite que há uma saída
Para todo mal entendido.
Nenhuma experiência é perdida
Quando se está convencido
Que há um propósito na vida
Para tudo o que tem acontecido.

Não te prometo toda a cura
Mas de angústia, ficará desprovido
A vida é mesmo essa loucura
Entendo que se sinta perdido
Mas eu serei sua guia
Para te manter protegido
E devolver toda a alegria
Para o seu coração dolorido

Traz o choro, eu seco as lágrimas...
Deixa eu te manter aquecido
Esqueça as tristezas e lástimas...
E receba meu amor desmedido.

Milla Borges

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Só às vezes




Às vezes é esse cansaço e essa agonia de se relacionar, de ver gente... Essa quase obrigação de ser uma garota legal.
Outras vezes, é esse “sem vontade” de realizar coisas que impressionem ou, sejam motivos de orgulho.
Ou essa vontade louca de saber o que vai ser, o que será, o que (ou quem) esperar lá na frente...
Essa ânsia de futuro.
É muito passado para pouco presente.
É muita história para tão poucas páginas... Folhear a vida e ler que na verdade nada mais faz sentido. As coisas mudaram.
Mudei tanto...
Para mim e para o mundo.
A mudança veio enfim...
E me restou sim, algum sorriso nos lábios e um brilho nos olhos. Porque nada se perde totalmente e o que já senti um dia, se eu revirar, se eu remexer, encontro no brechó do meu coração, mesmo que rasgado ou sujo.
De tudo, sempre fica um pouco de nada. Todo branco que dá, escurece com o tempo.
E o tempo não perdoa ninguém. Ele vem e te arrasta.
Sua opção é ir... Não há outra. Não adianta.
Eu fui. Na verdade, estou indo... E vou com os olhos bem abertos e atentos, com o coração desconfiado e com a cabeça fresca para absorver as coisas. Um filtro para processar o que eu encontrar pelo caminho...
Às vezes é essa coisa de ficar pensando demais que me faz achar que estou doente.
Às vezes é essa dúvida que me destaca das pessoas comuns e faz de mim uma “figura”.
Talvez eu seja mesmo essa “figura”.
Às vezes é tudo isso ou nada disso. É tudo junto e destacado por aí. Espalhado...
Fragmentado.
E eu recolho os pedaços, tentando não me repetir.
Às vezes, é isso. É só isso.
Isso tudo.
Só às vezes.
Acho que é.




Milla Borges

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Sonhadores,

Mais uma vez agradeço o carinho e a atenção de sempre!

Deixo aqui a sugestão de leitura deste blog: http://tiagof7.blogspot.com/

Este blog é do cara mais importante da minha vida e se não fosse por ele, pelo incentivo dele, a Fabricante de sonhos não existiria!

Ti, eu amo você!



segunda-feira, 11 de maio de 2009

Uma pausa para o amor...


Hoje, eu vim falar de amor pra você...

Eu quero a vida em pausas para aproveitar cada segundo ao teu lado,
Absorver cada sílaba que sai da tua boca,
Viver com você em um instante que chamaremos de sempre.
Quero te ver arrepiar a cada toque meu, e sentir o pulsar do teu coração enquanto você me abraça.
Quero respirar no seu ritmo,
Entender tua teoria e te colocar em prática.
Quero você fragmentado pra depois te ter inteiro.
Te reinventar mil vezes pra sentir que você é meu.
E escrever a nossa história a quatro mãos e assinar sozinha a autoria para que tudo seja de responsabilidade minha.
Quero teus olhos nos meus olhos,
Teus lábios nos meus lábios, pois você se encaixa em mim.
E respirar você,
Me manter de você,
E quem sabe,
Viver só por você...
Eu quero você.
E tem que ser assim

“A forma mais simples do amor...
Amar sem esperar nada em troca
Ser dois de verdade
Para unificar o caminho
E tem que haver sinceridade
Uma forma de carinho...
Se doar ao outro, pois não há dor
Entregar ao sentimento que toca
Todo nosso desejo de ser feliz
E sozinho não é possível
Assim como se diz
Que amor, sentimento incrível
É capaz de a todos transformar
E deixar o mundo mais bonito
Quanto mais se ama, mais querer amar
E desejar que esse amor seja infinito...”

Milla Borges

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Por mim mesma




Olá sonhadores...
Passo por um momento de incompreensão.
Não sei se isso ocorre com todos que escrevem, mas essa foi uma semana difícil pra mim...
Sabe quando você não se reconhece nas próprias palavras? Já aconteceu com vocês?
Quando você tem as idéias, cria as histórias na cabeça, mas na hora de passar para o papel, não consegue ordenar os próprios pensamentos...
Sei que tenho uma veia dramática mesmo, mas como isso me angustiou durante essa semana!
Então, respirei fundo e parei para analisar meus escritos...
E foi aí que surgiu esse texto aqui:


Ser simples ...
E esta tem sido minha luta cotidiana.
Eu tento desvendar a mim mesma,
Uma batalha quase insana.
Para tentar entender os meus atos
Meus pensamentos justificarem os fatos
Em minhas palavras tentando encontrar definição
Uma frase que faça algum sentido
Alguma pausa que acalme meu coração
Ou nas entrelinhas, uma resposta sensata
Um significado escondido
Para essa ciência inexata
Esse auto-conhecimento desconhecido
Que em meus textos não consigo decifrar
Que perseguição é essa, mocinha?
Precisa se flagelar?
Entender é assim tão importante?
Não basta apenas sonhar...
Relaxar só um instante
E me permitir um minuto de ignorância
E não saber. Isso é ganância!
Me entender só pra assumir
Que de mim, tudo sei.
Que conheço minha estrutura literária,
Que separa a minha vida real da imaginária
E fingir que não errei...
Que não fui assim tão contrária
A tudo que já redigi
E então admitir
Que fui surpreendida
(Por mim mesma)
E que agora estou perdida...

Milla Borges

Desejo a todos um ótimo feriado!
Aos amigos escritores, desejo muita, muita inspiração...
E deixo um grande beijo meu ♥...
.
.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Muito mais


A verdade é:
- Eu quero o mundo!
Não no sentido de querer o mundo só para mim e nem desejo dominá-lo.
O fato é que eu quero tudo.
Quero fazer tudo.
E já identifiquei o meu carrasco: O Tempo.
Sim, porque em meio à rotina, ao dia a dia, maldito ou bendito, que me consome inteira, me falta o tempo.
As 24 horas do meu dia se tornaram curtas demais para essa jornada que chamo carinhosamente de vida (por mero costume ou conveniência).
Uma vida é pouco... Eu precisaria de duas vidas para fazer tudo que eu quero.
Duas vidas, e eu teria tempo...

“Uma vida é muito pouco
Para tantos afazeres
Tempo corre feito louco
Atropelando meus deveres
Duas vidas bastariam
Para gozar minha vontade
As horas se estenderiam
Dando a mim a liberdade
De realizar o meu desejo
De visitar outros países
Ver amigos que não vejo
Ou conhecer minhas raízes
Poder dormir um dia inteiro
Sem horário para acordar
Plantar uma árvore no canteiro
Com coisa alguma me preocupar
Escrever um livro de poesia
Tomar aulas de violão
Mais uma vida caberia
Essa seria a solução
Entre coisas tão diversas
Que pretendo realizar
Nessa minha vida inversa
E o tempo há de ajudar
Muitos sonhos ainda tenho
Para viver intensamente
Não me adianta franzir o cenho
Que isso não muda o presente
Só me resta implorar
Pois não me darei por vencida
Até Deus me escutar
E me ceder mais uma vida!”

Milla Borges

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Partes


Mesmo inteiros, somos partes...

Sempre partes.


"Primeiro a boca.
Sorriso largo
Resumindo a alegria do mundo
Numa fração de segundo
O doce expulsando o amargo
Depois os olhos.
Olhar marcante
Atraindo suspiro e confiança
Transbordando toda uma esperança
Aproximando, apesar de distante
Em seguida, braços.
Acolhendo...
Para ser apoio, estendidos
Revelando segredos escondidos
De algo novo, que está nascendo
Logo, pernas.
Longas e fortes
Passadas largas e intensas
Que vão por estradas imensas
Conduzindo ao caminho da sorte
Voz e palavras.
Combinação em perfeita harmonia
O tom certo, na escala
O timbre exato de cada fala
E pensamentos em melodia
Partes do todo.
Em tudo existindo...
Detalhes notáveis dos pés a cabeça
E antes que eu me esqueça,
Partes de mim, consumindo..."


Milla Borges


quinta-feira, 9 de abril de 2009

Aprendendo

Porque de tudo se pode tirar uma lição...
Aprender com os acertos e com os erros...
Aprender que sempre podemos um pouco mais...
Sempre podemos dar mais um passo e assim, ir cada vez mais longe...


"Uma hora a gente aprende
Com as pedras do caminho
Uma hora a gente entende
Que nasceu pra ser sozinho.
Aprende tudo que é errado
E o que não dá pra mudar
Se depara com o emaranhado
De dúvidas desse lugar
A gente aprende a levantar
Aprende e ser mais forte
Não desistir antes de tentar
Não depender apenas da sorte
Uma hora a gente chora
E sente falta do passado
E das pessoas que outrora
Estiveram ao nosso lado.
O que passou não volta mais
A gente aprende a ir em frente
Tentando não olhar para trás
Buscando um segundo de paz
Que há muito não se sente.
Uma hora a gente pára
E deixa o vento bater
E olha a vida cara a cara
Procurando o que aprender
A gente aprende a ser gente
Pois não basta só nascer
É preciso ter coragem
Não estamos só passagem
A gente aprende a viver."


Milla Borges





FELIZ PÁSCOA, SONHADORES!!!!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Selinho com amor e carinho!

Olá pessoal!

Hoje, vou postar um selinho fofíssimo que ganhei de uma flor linda, chamada Caroline, que apareceu no meu jardim e já faz parte aqui da nossa Fábrica de Sonhos!
Ela também fabrica sonhos no blog "Sonhos Tortos" (http://sonhostortos.blogspot.com/)!


Eu recomendo!


Fiquei muito feliz com essa surpresa e resolvi dividir com vocês, sonhadores, a minha alegria.
Olha ele aí:





Não é fofinho!?!

Bem, vou repassar esse selinho para seis blogs:
Para a Josi - Blog Abrace sua loucura (http://escritosdejoseanecosta.blogspot.com/)Para
Para o Wagner -Blog Ecos do meu silêncio (http://wagnerkaiowas.blogspot.com/)
Para o Tiago - Blog Insustentável leveza do ser (http://tiagof7.blogspot.com/)
Para o Pedro - Blog A torre mágica (http://atorremagica.blogspot.com/
Para o Kesso - Blog Textos e frases
(http://textosefrases-textosefrases.blogspot.com/)
Para o João - Blog As 7 pedras do amor (http://as7pedrasdoamor.blogspot.com/)

Então é isso, sonhadores!

Aproveito para desejar a todos que me visitam uma FELIZ PÁSCOA!

Amanhã postarei um novo sonho...

Beijos grandes!!!



Milla Borges

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Letícia




Rio de Janeiro. Verão. Calor.

Durante o dia, os famosos “40 graus” da Cidade Maravilhosa queimou a pele daqueles que queriam ou precisavam se expor.
Porém, a noite caiu ainda mais quente e abafada no céu daquele Rio de Janeiro.
E da janelinha de seu quarto, Letícia, em pleno adolescer, buscava qualquer vento que não existia para se refrescar.
As cortinas, de cor lilás, não se moviam.
Não havia vento naquele Fevereiro.
E a menina, no seu décimo sexto verão, agoniava-se com tanta quentura, pois assim não conseguia dormir.
Seu colchão “pinicava” o corpo. O colchão dava a menina uma sensação de asco em noites como essa.
Então, Letícia procurava o que fazer enquanto o sono não a derrubava em cansaço.
Enquanto o sono não a obrigava a dormir.
Mas, enquanto isso, procurava se atarefar.

Nesta noite específica, Letícia, que já havia escrito em seu diário, arrumado o armário e feito e desfeito sua cama uma dúzia de vezes, se viu no ócio.

O ócio.

Andando de um lado para o outro, cada vez mais agoniada em seu quartinho lilás, estacou em frente ao espelho.
Parou e olhou.
O ócio deu lugar aos pensamentos, sempre borbulhantes naquela cabecinha adolescente.
A menina se olhou e se reconheceu, essa Letícia.

“ Eu... ”

Analisou o reflexo da sua pele morena e se viu menina, tomando formas de mulher.
Se estranhou, olhou com atenção... E se permitiu ver como mulher.
E assim, pela primeira vez, sentiu-se mulher.

Fixada e apaixonada por sua imagem, bonita, seus cabelos pretos na cintura e sua forma de moça feita. Via uma mulher linda... Mas não queria, não agora, abandonar-se e despedir-se da menina.
Na verdade, talvez quisesse. Era só um apego.
E assim, de olhos rútilos, vivos e acordados, fabricou um pequeno sonho...

“A menina dos meus olhos estão brilhando
E nesse reflexo me vejo lembrando
De tudo que fui e do que agora sou:
Das coisas que passei, sou aquilo que sobrou
Um pedaço de carne e um coração
Recheado de sonhos, dois planos, uma ilusão.
Para os sonhos dedico minha vontade
De num próximo sonho, ser mulher de verdade
O primeiro plano é garantir meu futuro
E sinto-me pronta, isso eu juro!
O segundo plano é só um suporte
Pra que eu me sinta mais segura e forte
A ilusão são esses amores...
Vem e vão, alegrias e dores...
Buscarei a felicidade que eu mereço
Caminhando, cresço, aprendo e apareço!
Vou buscando minha liberdade
Vou sonhando com a maioridade...
Sou a mesma, mas tão diferente ...
Esse impulso que me empurra pra frente
Com letras de forma vai escrevendo
E minha história, amadurecendo.
Eu quero o céu e a plenitude!
Quero paz, paixão e saúde!
Quero soltar um suspiro profundo
Pra conseguir abraçar esse mundo!
E finalmente ser dona do meu nariz
E ser dessa vida, a mulher mais feliz...”

E nesse momento, um ventinho entrou sem permissão pela janela bagunçando os cabelos da Letícia.

Sacudiu a cabeça, saindo do seu transe e bocejou...

O sono já estava visitando aquele quartinho lilás.
A madrugada estava mais fresca agora e a cama, convidativa.
Letícia olhou para a cama e voltou o olhar para o espelho.
Sorriu, menina, e despediu-se com um beijo, tocando os lábios frios da mulher refletida ali.

Um beijo e de novo um sorriso...
Um bocejo.
Jogou-se na cama e adormeceu tão linda...

Da janela dava para ver o mais lindo luar, inteiramente dela, no céu daquele Rio de Janeiro...

Milla Borges

terça-feira, 31 de março de 2009

A dança única



Dançarias?

Perguntou com a voz embargada.

Dançarias?

Uma única dança e nada mais... Era esse e só esse o seu desejo.
E quantas vezes imaginou esse momento.. . Quantas noites insones, sonhou acordado com uma dança. Uma única música. E ela.

Tão linda. Tão pálida. Tão Ela.

Fantasiou esse momento milhões de vezes! Por Deus! Milhões...

Fantasiava...

E via em seu devaneio... Suas mãos a tocar aquela mãozinhas, o seu braço a envolver a cintura fininha da donzela, Podia sentir seu perfume suave... Aquele aroma de flor do campo...
Via seus olhinhos negros brilhando para os seus castanhos.
E podia sentir o toque tão macio daqueles lábios vermelhos a tocar os seus... Tão tímidos.

A dança.

Dançarias?

Chegou o momento e o coração do rapaz saltava de paixão dentro do peito.

- Sim...

E como em seu sonho, um pouco desajeitado, tocou aqueles dedinhos frios, olhou nos olhos negros da mocinha e lentamente a conduziu pelo salão.
Pareciam flutuar por entre os pares dançantes daquela noite bonita de luar prateado.
E na cabeça do rapaz, um turbilhão de pensamentos explodiam desordenadamente, mais ou menos assim:


“ Tantas noites e desejos
Enquanto essa música durar
A sonhar com os teus beijos
Feito bobo a te admirar
Tão frágil e tão cheirosa
Aqui encostada no meu peito
Sua voz de tão melosa
Que me doa e eu aceito
E a paz dessa alegria
De te ter entre meus braços
É melhor que a fantasia
Pois preenche meus espaços
Que essa música seja infinita
E que viva como lembrança
A melodia mais bonita
E a magia dessa dança...”


A música cessou deixando um vazio entre eles.
Olharam-se nos olhos longamente, no mais profundo e absoluto silêncio.
E nesse silêncio eloqüente, trocaram as mais bonitas frases de amor...
E para sempre dançaram na memória...
E para sempre ouviram a melodia...
E houve uma dança.
Única.


Milla Borges






quinta-feira, 26 de março de 2009

Vida em flor



Uma semente foi plantada
E começou a germinar
Criou raiz, foi alimentada
Abriu-se em flor
Cresceu de amor,
E se fez para o Sol brilhar
Numa clareira frondosa
Exalava o seu perfume
Aquela flor muito formosa
Rodeada por borboletas
Coloridas, anacoretas
Despertou certo ciúme
Noutras flores belas
Mas que não tinham o seu brilho
Nem pareciam tão donzelas
E queriam sua folhagem
Tão delicada e tão selvagem.
O que não era empecilho
Para exaltar sua beleza
Que permanecia intacta
Pois era de sua natureza
Aquela cor de felicidade
Aqueles galhos de mocidade
Na sua existência compacta
Mesmo o orvalho da manhã
Encontrando em pétalas, abrigo
Exprimia uma esperança vã
Que para o pintor, seria um belo tema
Para o poeta, seria um lindo poema
E para quem visse, um sonho bom e amigo.

Milla Borges

segunda-feira, 23 de março de 2009

Feliz Agora




Não vou deixar pra depois....
Não vou entregar os pontos...
Aqui é o lugar e o momento é esse...


Vem comigo???


Feliz Agora


Antes que a lágrima escorra
Ou alguma tragédia ocorra
Antes que o tempo corra
Ou até mesmo que eu morra
Vou ser feliz agora!

Ainda que a dor se apresente
Nos pensamentos causando acidente
E que a tristeza não se ausente
Ainda que eu fique doente
Vou ser feliz agora!

Apesar das loucuras da vida
Da história mal resolvida
Da paz que me foi removida
Da palavra que não foi ouvida
Vou ser feliz agora!

Embora nada faça sentido
E meu desabafo pareça contido
O meu rosto reflita abatido
E meu coração se tenha partido
Vou ser feliz agora!

Porque alegria não tem hora
Meus sonhos não aceitam demora
Problemas? Eu jogo fora.
A solidão eu mando ir embora.

E eu...

Vou ser feliz agora!



Milla Borges







terça-feira, 17 de março de 2009

Julieta sem Romeu




Nesse momento, é isso e nada mais.




Julieta sem Romeu


De noite, no sereno
Com meu coração apertado
Tomei minha dose do teu veneno
Num só gole assustado.
Fiquei a tua espera
Para que bebesse a tua parte
A saudade me abraçou severa
Pois tu eras meu baluarte
O sofrimento me feriu
Atingindo a minha alma
E lentamente consumiu
O restante da minha calma
Por mim, o tempo passava
Sugando doce, minha vida
O abandono me sufocava.
Fui pela morte absorvida.
O que fizeste do nosso amor?
Por que o matou com tal frieza?
Não foi o veneno e sim a dor,
Da solidão e essa tristeza.
Covardemente, o amor fugiu
E teu veneno não bebeu
Dito e feito, assim surgiu
Julieta sem Romeu.



Milla Borges

quarta-feira, 11 de março de 2009

Teatro Contemporâneo




Um novo teatro, que nem todos entendem...



Atrás das cortinas havia o cenário
De uma peça sem muito efeito
Com um texto anti-literário
E um único ator, imperfeito
A perturbar o imaginário
De uma platéia semi-morta
Interessada no lado contrário
Do que realmente importa

O (pobre) ator esplêndido e aventureiro
Contemporâneo e minimalista
Ocultava o tempo inteiro
O que era a arte do artista

E o seu público autoritário
Desacostumado a questionar
Exigia um enredo hilário
Que não o fizesse pensar
Mas o ator extraordinário
Sem se importar com a bilheteria
Fez do seu palco, santuário
Como há muito não fazia

Com seu talento magistral
Encenou o realismo com alma
( Caiu o pano... )
A platéia confusa e convencional
Se levantou e bateu palma.



Milla Borges

sexta-feira, 6 de março de 2009

Pessoinha





Eu criei uma pessoa.
Um ser. Uma pessoinha.
Inventei uma pessoa inexistente para o mundo, mas viva em mim.
Não tem sexo. Não tem idade.
Eu criei uma pessoinha.
Um serzinho com menos de um metro. Bem pequeno. Que se mede com fita métrica.
Uma pessoinha que me acompanha. Mede 60 centímetros e conversa comigo.
pra ser bem sincera, é um ser de muita história e sentimento.
A criaturinha se expressa tão bem e me fala minuciosamente.
O que?
Coisas.
De quem?
Dela.
Da vida e do mundo, às vezes.
Uma invenção que tem uma cabeça, essa que eu criei.
Vamos às apresentações:

Eis a pessoinha.


[ Da vida pensa: " Simples "
( Eu particularmente discordo )


E das pessoas: " Individuais. Cada uma, única. Feita a mão. "
( Taí um ponto comum... Criatura e criador (a) )


Outro conceito- Julgamento: ( Sabe o que esse ser me disse? )

"Eu julgo. Você julga. Errado? Não. Ponto de vista. E daqui de baixo eu vejo. " ]


Lição ganha e aceita.

Uma história que a pessoinha me contou:

[ " Teve uma vez que o céu desceu. Desceu muito.
Mas pequeno (a) que sou, não consegui tocá-lo.
Enquanto outros, um pouco maiores (na altura e não na alma), colhiam as estrelas em cestos largos.
Cestos feitos para caber muitas estrelas. Milhares delas.
E eu, só podia observar.
E foi isso que eu fiz.
Olhei. Contemplei.
Eu não tinha cesto. Eu não tinha tamanho que me permitisse colher.
Mas eu tenho um segredo... Quer saber?
Eu guardei algumas estrelas...
Algumas que caíram no chão. E guardei em um lugar que só eu sei e que nenhuma pessoa, mesmo a mais alta, é capaz de alcançar.
E... sabe onde eu guardei minhas estrelinhas? Quer saber?
NÃO CONTO!
Não conto e sorrio por não contar!
Imagine, se quiser.
Mas eu, pessoinha mínima, inventada, que nem existo pra você...
NÃO CONTO E NÃO REVELO!
Imagine, se quiser.
Mas isso vai ser pra sempre só meu e tão meu!
E sabe... os maiores, os que existem e possuem carne, ossos, órgãos, podem ter dado às suas estrelas algum destino.
Forçado e obrigatório talvez. Ou nada.
Eu? Ah...
Eu as deixei brilhar nesse lugar que só eu sei.
E cada vez mais! E cada vez mais pra sempre!
E isso me fez bem. E ainda me faz.
Foi o que eu fiz." ]


Eita pessoinha boa de prosa, boa de conto!
Eu a amo.
E foi isso que eu inventei.
E é com ela que eu aprendo 60 centímetros de vida a mais.
Aprendo a sonhar mais 5 minutinhos.
Aprendo a viver mais esse instante de lápis, papel e criação.
E principalmente, aprendo a dar a luz a novos seres que me ensinem qualquer coisa.
Com qualquer empolgação e verdade.
Ou com o mesmo despreparo que declaro aqui. Agora.
E é isso. É é essa minha cria e minha criação.



Milla Borges






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Nota da autora:
( Clarice Lispector me desprezaria. Apesar das overdoses que tomo de seus textos. )

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Umas palavrinhas no dia do meu aniversário...


Olá pessoal!

Hoje, 19/02/2009 é dia do meu aniversário!!!


É... To ficando mais velha e o mais legal é que a cada ano que passa vejo o quanto tudo ao meu redor muda rápido, como que a vida vai passando e como que a gente vai se transformando ( e quantas palavras novas eu aprendi! rsrs É sério!!!! )


Bem, eu não sabia bem o que escrever... Então peguei o velho e bom caderno e meu lápis e deu nisso:



Vida

Estadia e jornada.
As marcas ficam pelo corpo. Nos gestos, na memória.
E a memória, cheia de lembranças. De pessoas e fatos.

Eis aqui um fato da vida:
Viver é se movimentar e interferir.


DE-SES-PE-RA-DA-MEN-TE.
Movimento e interferência.
Se deslocar e mudar. Estagnar e mover.
Viver.

E passar por tudo que se tem que passar.
E passando, guardar, sofrer, sorrir, aprender.
Errar.
Cair e levantar. Cair de novo.
Reerguer.

Porque a vida está ali, paradinha.
E nós estamos deslizando por ela.
Sobre e sob ela.
Entre.

Marcando e sendo marcados e nos moldando e [...]
Aceitando e resistindo.
Amando e sentindo e morrendo e renascendo.
Vivendo.

QUES-TI-O-NAN-DO. [???]
Sendo.
E cada vez mais, tentando SER.
Existindo.

Escrevendo uma história única de vida.
Para que contem, escrevam, observem, interfiram.
E no final que leiam.
E que silenciem.
Ou que digam:

-Não fez sentido, mas tudo senti.
E valeu.
( Está valendo! )

Milla Borges

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Sobre o olhar


Olá pessoal!


Hoje, o poema que vou postar não fui eu que escrevi.
Eu o ganhei do meu namorado, Tiago Marins.


Ti, obrigada por tudo.
Pelas palavras, por esse amor tão bonito, por gostar de mim, por ser meu grande amor e amigo.
Minha vida sem você não teria graça.

Obrigada por ser assim... Tão Tiago Marins... Tão meu!

Eu te amo!

Milla Borges


Sobre o olhar


Tão fascinante quanto intenso
Inevitável razão pro torpor
Congelamento momentâneo
Inevitável fuga da dor


Não é calmo, nem é manso
Não é rude, nem agressivo
Capaz de absorver o bem e o mal
Nem é certo, nem é indeciso


Me perdoa e me condena
Me seduz e me devora
Me acalma e me atormenta
E espera
Sem pressa (...)
Com calma
Domina minha alma

Traz a pureza e a malícia
Traz o Sol a cada manhã
Traz sentido à minha vida
Minha cura
Minha loucura (...)
A morada
Onde repousa o meu amor.

Tiago Marins

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Fabricando sonhos...



A noite, de olhos fechados
Mergulhada no meu mundo
Vou passeando pelo pensamento
Entrando num coma profundo.
Imagino tudo que eu quero
Crio histórias e personagens
Sinto gostos, vejo cores
E texturas e imagens.
A coisa vai fluindo...
Viro criança pra brincar
E uma certeza me domina:
É necessário sonhar!
Escrevo palavras no vento...
Sinto um prazer inenarrável
Piso em nuvens e vou voando
Por esse céu incomparável.
Danço a dança dos felizes
Com o coração dos inventores.
Tudo se torna tão mágico,
E tem cheirinho de flores!
Ouço a voz da imaginação
E deixo flutuar minha poesia
Invento uma nova canção
Pra toda essa fantasia...
Pois eu me sinto recompensada
Ao ver rostinhos risonhos
Que se alegram com os escritos
Da menina fabricante de sonhos....

Milla Borges

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

♥ Selinho ♥


Oi Pessoal!!!!
*
Recebi de presente da Dani Z. (http://danyziroldo.blogspot.com/) este selinho da amizade!
Fiquei surpresa e também lisonjeada com essa lembrança!!!
*
*
Dani, você não sabe o quanto me fez feliz! Obrigada pelo carinho e pela consideração, mocinha!
*
*
Pra quem não conhece o selinho, leia o textinho abaixo
*
*
Esse é o Troféu do Amigo!!
" Esses blogs são extremamente charmosos.
Esses blogueiros têm o objetivo de se achar e serem amigos.
Eles não estão interessados em se auto promover.
Nossa esperança é que quando os laços desse troféu são cortados ainda mais amizades sejam propagadas.
Entregue esse troféu para oito blogueiros(as) que devem escolher oito outros blogueiros(as) e incluir esse texto junto com seu troféu!! "
*
*
Então pessoal, vou repassar esse selinho para oito blogs!
Segue a minha listinha:
*
*
*
*
Um ótimo final de semana para todos e um beijo enooorme!
*
*
Paz!
*
Milla Borges

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Apoteótica



Testando minha paciência elástica
Aprendi a me conhecer,
Mas não serei muito enfática
Pra que ninguém se assuste
Com minha vida eclética
E minha cabeça caótica
Que só Freud conseguiria entender...
Descobri que sou romântica
E um tanto quanto dramática,
Mas isso dá pra perceber.
Sou uma garota frenética
Uma mulher lunática
Sonhadora, febril e poética
E faço da vida o meu prazer.
Possuo uma beleza exótica
Tenho até uma veia artística,
O que me leva a escrever... (?)
Reconheço que sou neurótica.
Para alguns, enigmática
Para outros, sou patética
Pois cada um tem seu parecer.
Odeio a vida doméstica,
Às vezes sou muito crítica,
Não gosto de matemática,
Mas gosto de política.
E não admito perder.
Autêntica e mística.
Profética e elíptica.
Erótica.
Cética.
E tudo mais que eu puder ser...




Milla Borges






terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Uma parte da história...



Ela caminhava apressadamente,
Como se tivesse lugares para ir
Ou coisas para fazer.
Não Tinha
Seu ritmo era acelerado mesmo.
Tinha nos olhos um brilho diferente
E olheiras de quem não consegue dormir.
Nos lábios, um sorriso querendo aparecer.
Do mundo em volta, se abstinha
E seguia, caminhando a esmo
Era só ela e aqueles pensamentos
Que nem ela mesma entendia
E nem conseguia ( ou queria ) estancar
Porque o controle lhe faltava
Mas era esse o seu fascínio.
Oscilava entre alegrias e tormentos
Mas não doía, nem sofria
Ela não iria parar
Enquanto tudo borbulhava
E fugia do seu domínio.
Passos cada vez mais acelerados...
Escorria pelo seu rosto lágrimas e suor
Dando os primeiros sinais de loucura
Parou subitamente.( ... ) Sentiu-se exposta.
Se perguntava um milhão de vezes: Por quê?
Seus atos, seus fatos, não precisavam ser justificados
Até que um sorriso surgiu, ficando cada vez maior
Pois sentia-se bem sendo insegura
E não queria achar resposta
Pra tudo aquilo que não queria saber...

(...)

Voltou a caminhar, apressadamente.

Milla Borges

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Uma Saudade


Sigo para onde meus pés me levam e sem a pretensão de chegar em algum lugar.
Simplesmente sigo.
E onde quer que eu vá, levo comigo essa saudade.
Você tem ocupado muito espaço na minha cabeça ultimamente.
Quando eu fecho os olhos, ainda posso ver seu rosto.
Eu sinto até seu cheiro...
E o tom da sua voz, de vez em quando ecoa nos meus ouvidos...
Eu, apenas sigo para onde você não está.
E por onde passo, recolho suas lembranças.
Procuro nas pessoas os seus pedaços.
E em mim, reconheço os seus gestos.
Fico imaginando por qual caminho você segue... Se de onde você está, consegue me observar... Se consegue perceber o quanto estou mudando... Tentando melhorar... Evoluindo.
E eu, continuo seguindo sem rumo, a caminho de qualquer canto, sempre na esperança de um dia caminhar com você novamente.
Você faz falta... E falta uma parte de mim.
Queria o seu abraço forte agora.
Bem... Pelo menos posso sonhar.


Milla Borges