quinta-feira, 30 de abril de 2009

Por mim mesma




Olá sonhadores...
Passo por um momento de incompreensão.
Não sei se isso ocorre com todos que escrevem, mas essa foi uma semana difícil pra mim...
Sabe quando você não se reconhece nas próprias palavras? Já aconteceu com vocês?
Quando você tem as idéias, cria as histórias na cabeça, mas na hora de passar para o papel, não consegue ordenar os próprios pensamentos...
Sei que tenho uma veia dramática mesmo, mas como isso me angustiou durante essa semana!
Então, respirei fundo e parei para analisar meus escritos...
E foi aí que surgiu esse texto aqui:


Ser simples ...
E esta tem sido minha luta cotidiana.
Eu tento desvendar a mim mesma,
Uma batalha quase insana.
Para tentar entender os meus atos
Meus pensamentos justificarem os fatos
Em minhas palavras tentando encontrar definição
Uma frase que faça algum sentido
Alguma pausa que acalme meu coração
Ou nas entrelinhas, uma resposta sensata
Um significado escondido
Para essa ciência inexata
Esse auto-conhecimento desconhecido
Que em meus textos não consigo decifrar
Que perseguição é essa, mocinha?
Precisa se flagelar?
Entender é assim tão importante?
Não basta apenas sonhar...
Relaxar só um instante
E me permitir um minuto de ignorância
E não saber. Isso é ganância!
Me entender só pra assumir
Que de mim, tudo sei.
Que conheço minha estrutura literária,
Que separa a minha vida real da imaginária
E fingir que não errei...
Que não fui assim tão contrária
A tudo que já redigi
E então admitir
Que fui surpreendida
(Por mim mesma)
E que agora estou perdida...

Milla Borges

Desejo a todos um ótimo feriado!
Aos amigos escritores, desejo muita, muita inspiração...
E deixo um grande beijo meu ♥...
.
.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Muito mais


A verdade é:
- Eu quero o mundo!
Não no sentido de querer o mundo só para mim e nem desejo dominá-lo.
O fato é que eu quero tudo.
Quero fazer tudo.
E já identifiquei o meu carrasco: O Tempo.
Sim, porque em meio à rotina, ao dia a dia, maldito ou bendito, que me consome inteira, me falta o tempo.
As 24 horas do meu dia se tornaram curtas demais para essa jornada que chamo carinhosamente de vida (por mero costume ou conveniência).
Uma vida é pouco... Eu precisaria de duas vidas para fazer tudo que eu quero.
Duas vidas, e eu teria tempo...

“Uma vida é muito pouco
Para tantos afazeres
Tempo corre feito louco
Atropelando meus deveres
Duas vidas bastariam
Para gozar minha vontade
As horas se estenderiam
Dando a mim a liberdade
De realizar o meu desejo
De visitar outros países
Ver amigos que não vejo
Ou conhecer minhas raízes
Poder dormir um dia inteiro
Sem horário para acordar
Plantar uma árvore no canteiro
Com coisa alguma me preocupar
Escrever um livro de poesia
Tomar aulas de violão
Mais uma vida caberia
Essa seria a solução
Entre coisas tão diversas
Que pretendo realizar
Nessa minha vida inversa
E o tempo há de ajudar
Muitos sonhos ainda tenho
Para viver intensamente
Não me adianta franzir o cenho
Que isso não muda o presente
Só me resta implorar
Pois não me darei por vencida
Até Deus me escutar
E me ceder mais uma vida!”

Milla Borges

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Partes


Mesmo inteiros, somos partes...

Sempre partes.


"Primeiro a boca.
Sorriso largo
Resumindo a alegria do mundo
Numa fração de segundo
O doce expulsando o amargo
Depois os olhos.
Olhar marcante
Atraindo suspiro e confiança
Transbordando toda uma esperança
Aproximando, apesar de distante
Em seguida, braços.
Acolhendo...
Para ser apoio, estendidos
Revelando segredos escondidos
De algo novo, que está nascendo
Logo, pernas.
Longas e fortes
Passadas largas e intensas
Que vão por estradas imensas
Conduzindo ao caminho da sorte
Voz e palavras.
Combinação em perfeita harmonia
O tom certo, na escala
O timbre exato de cada fala
E pensamentos em melodia
Partes do todo.
Em tudo existindo...
Detalhes notáveis dos pés a cabeça
E antes que eu me esqueça,
Partes de mim, consumindo..."


Milla Borges


quinta-feira, 9 de abril de 2009

Aprendendo

Porque de tudo se pode tirar uma lição...
Aprender com os acertos e com os erros...
Aprender que sempre podemos um pouco mais...
Sempre podemos dar mais um passo e assim, ir cada vez mais longe...


"Uma hora a gente aprende
Com as pedras do caminho
Uma hora a gente entende
Que nasceu pra ser sozinho.
Aprende tudo que é errado
E o que não dá pra mudar
Se depara com o emaranhado
De dúvidas desse lugar
A gente aprende a levantar
Aprende e ser mais forte
Não desistir antes de tentar
Não depender apenas da sorte
Uma hora a gente chora
E sente falta do passado
E das pessoas que outrora
Estiveram ao nosso lado.
O que passou não volta mais
A gente aprende a ir em frente
Tentando não olhar para trás
Buscando um segundo de paz
Que há muito não se sente.
Uma hora a gente pára
E deixa o vento bater
E olha a vida cara a cara
Procurando o que aprender
A gente aprende a ser gente
Pois não basta só nascer
É preciso ter coragem
Não estamos só passagem
A gente aprende a viver."


Milla Borges





FELIZ PÁSCOA, SONHADORES!!!!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Selinho com amor e carinho!

Olá pessoal!

Hoje, vou postar um selinho fofíssimo que ganhei de uma flor linda, chamada Caroline, que apareceu no meu jardim e já faz parte aqui da nossa Fábrica de Sonhos!
Ela também fabrica sonhos no blog "Sonhos Tortos" (http://sonhostortos.blogspot.com/)!


Eu recomendo!


Fiquei muito feliz com essa surpresa e resolvi dividir com vocês, sonhadores, a minha alegria.
Olha ele aí:





Não é fofinho!?!

Bem, vou repassar esse selinho para seis blogs:
Para a Josi - Blog Abrace sua loucura (http://escritosdejoseanecosta.blogspot.com/)Para
Para o Wagner -Blog Ecos do meu silêncio (http://wagnerkaiowas.blogspot.com/)
Para o Tiago - Blog Insustentável leveza do ser (http://tiagof7.blogspot.com/)
Para o Pedro - Blog A torre mágica (http://atorremagica.blogspot.com/
Para o Kesso - Blog Textos e frases
(http://textosefrases-textosefrases.blogspot.com/)
Para o João - Blog As 7 pedras do amor (http://as7pedrasdoamor.blogspot.com/)

Então é isso, sonhadores!

Aproveito para desejar a todos que me visitam uma FELIZ PÁSCOA!

Amanhã postarei um novo sonho...

Beijos grandes!!!



Milla Borges

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Letícia




Rio de Janeiro. Verão. Calor.

Durante o dia, os famosos “40 graus” da Cidade Maravilhosa queimou a pele daqueles que queriam ou precisavam se expor.
Porém, a noite caiu ainda mais quente e abafada no céu daquele Rio de Janeiro.
E da janelinha de seu quarto, Letícia, em pleno adolescer, buscava qualquer vento que não existia para se refrescar.
As cortinas, de cor lilás, não se moviam.
Não havia vento naquele Fevereiro.
E a menina, no seu décimo sexto verão, agoniava-se com tanta quentura, pois assim não conseguia dormir.
Seu colchão “pinicava” o corpo. O colchão dava a menina uma sensação de asco em noites como essa.
Então, Letícia procurava o que fazer enquanto o sono não a derrubava em cansaço.
Enquanto o sono não a obrigava a dormir.
Mas, enquanto isso, procurava se atarefar.

Nesta noite específica, Letícia, que já havia escrito em seu diário, arrumado o armário e feito e desfeito sua cama uma dúzia de vezes, se viu no ócio.

O ócio.

Andando de um lado para o outro, cada vez mais agoniada em seu quartinho lilás, estacou em frente ao espelho.
Parou e olhou.
O ócio deu lugar aos pensamentos, sempre borbulhantes naquela cabecinha adolescente.
A menina se olhou e se reconheceu, essa Letícia.

“ Eu... ”

Analisou o reflexo da sua pele morena e se viu menina, tomando formas de mulher.
Se estranhou, olhou com atenção... E se permitiu ver como mulher.
E assim, pela primeira vez, sentiu-se mulher.

Fixada e apaixonada por sua imagem, bonita, seus cabelos pretos na cintura e sua forma de moça feita. Via uma mulher linda... Mas não queria, não agora, abandonar-se e despedir-se da menina.
Na verdade, talvez quisesse. Era só um apego.
E assim, de olhos rútilos, vivos e acordados, fabricou um pequeno sonho...

“A menina dos meus olhos estão brilhando
E nesse reflexo me vejo lembrando
De tudo que fui e do que agora sou:
Das coisas que passei, sou aquilo que sobrou
Um pedaço de carne e um coração
Recheado de sonhos, dois planos, uma ilusão.
Para os sonhos dedico minha vontade
De num próximo sonho, ser mulher de verdade
O primeiro plano é garantir meu futuro
E sinto-me pronta, isso eu juro!
O segundo plano é só um suporte
Pra que eu me sinta mais segura e forte
A ilusão são esses amores...
Vem e vão, alegrias e dores...
Buscarei a felicidade que eu mereço
Caminhando, cresço, aprendo e apareço!
Vou buscando minha liberdade
Vou sonhando com a maioridade...
Sou a mesma, mas tão diferente ...
Esse impulso que me empurra pra frente
Com letras de forma vai escrevendo
E minha história, amadurecendo.
Eu quero o céu e a plenitude!
Quero paz, paixão e saúde!
Quero soltar um suspiro profundo
Pra conseguir abraçar esse mundo!
E finalmente ser dona do meu nariz
E ser dessa vida, a mulher mais feliz...”

E nesse momento, um ventinho entrou sem permissão pela janela bagunçando os cabelos da Letícia.

Sacudiu a cabeça, saindo do seu transe e bocejou...

O sono já estava visitando aquele quartinho lilás.
A madrugada estava mais fresca agora e a cama, convidativa.
Letícia olhou para a cama e voltou o olhar para o espelho.
Sorriu, menina, e despediu-se com um beijo, tocando os lábios frios da mulher refletida ali.

Um beijo e de novo um sorriso...
Um bocejo.
Jogou-se na cama e adormeceu tão linda...

Da janela dava para ver o mais lindo luar, inteiramente dela, no céu daquele Rio de Janeiro...

Milla Borges