quinta-feira, 25 de junho de 2009

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São os ventos soprando
É a vida que toma outro rumo
Eu passo por ela sonhando
Os sonhos de fé e consumo
A estrada é sinuosa
Cada curva é uma cilada
Mas sigo impetuosa
Em frente minha jornada
Se encontro uma armadilha
Uso a magia dos versos
De tudo se desvencilha
Os meus poemas dispersos
É sonho fingindo que é vida
É vida virando história
E eu a ser conduzida
Brincando de criar memória
Passam pessoas e fatos
Provocando os meus sentimentos
Entre verdades e boatos
Entre pausas, pontos e acentos
Nas palavras desse presente
Meu futuro se profetiza
Nas páginas do “atualmente”
Me tornei assim poetisa


Milla Borges

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Numa madrugada...



Já são oito cigarros da madrugada e o sono insiste em não voltar pra casa.
Há duas doses atrás, de uma bebida qualquer, eu estava em paz, mas aqueles erros todos resolveram me visitar. Um motim de erros, todos contra mim.
Um capítulo lido e relido por mim esta noite.
Penso neles porque só eles me fazem companhia agora e rezo porque já viraram fantasmas.
Eu rezo e eles não me assustam.
A noite corre e eu fumo e eu bebo e tento entender o porquê de todos aqueles erros, naquelas datas. Analiso friamente o passado e vejo quantas oportunidades de acertar eu já desperdicei.
Enfim... Passado.

A culpa vem também e não adianta trancar as portas e janelas da sala, pois ela entra pelas frestas e se instala em mim. Superficialmente. Fica em mim.
Por algum motivo estranho não me preocupo, não me abalo (deveria?). Fumo apenas.
Deve haver algum antídoto para esses sentimentos ou uma dose mais forte de um entorpecente qualquer.
Alguma coisa que me anule agora.
Deve haver algum sentido...
A noite continua seguindo o seu rumo de noite, fazendo o seu papel. E eu me dissolvo na fumaça espessa do cigarro.
Os meus olhos pesam e a poltrona é macia.
Corrijo mentalmente cada erro que me recordo e me absolvo.
Já tive muitas dores... Não vejo necessidade de me machucar ainda mais.
É mais fácil, eu me perdoar e assim eu faço.
Amém.
Admito esse ato de covardia, pois o que mudou em meu interior só eu sei.
A verdade é que só interessa a mim, saber
Mas a culpa vem... Uma hora ou outra. Vem.
Um gole, um trago. E eu relaxo...
De forma peculiar, não me sinto mais a mesma, a mesma daqueles erros.
Sou outra, sou nova para cometer erros novos...
A noite, mais triste e sozinha agora (a noite, não eu...) dá seu primeiro sinal de despedida.
Eu e a noite só temos uma coisa em comum: essa frieza.
E quanto àquela que fui, só o cigarro permanece o mesmo.
Cinzeiro cheio, copo vazio, cabeça cansada e o sono retorna.
Nem me dou ao trabalho de ir para cama.
Fico pela sala.
Prefiro a poltrona, que é nova como eu.


Milla Borges.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Eu vou cuidar de você.





Traz seu lamento até mim
E por mim se sinta acolhido
Toda dor tem o seu fim.
Seja pela paz, atingido
De modo que a felicidade retorne,
Aceite o meu colorido
E deixa que a cor entorne
Sobre seu olhar aborrecido
Toda a energia positiva
E seja por ela envolvido.

Esta é uma alternativa.
Acredite que há uma saída
Para todo mal entendido.
Nenhuma experiência é perdida
Quando se está convencido
Que há um propósito na vida
Para tudo o que tem acontecido.

Não te prometo toda a cura
Mas de angústia, ficará desprovido
A vida é mesmo essa loucura
Entendo que se sinta perdido
Mas eu serei sua guia
Para te manter protegido
E devolver toda a alegria
Para o seu coração dolorido

Traz o choro, eu seco as lágrimas...
Deixa eu te manter aquecido
Esqueça as tristezas e lástimas...
E receba meu amor desmedido.

Milla Borges