terça-feira, 28 de julho de 2009

"Nós poético"



Papel picado e velho.
Amassado.
Bebida com gosto de menta.
Vai ser assim se ficar do meu lado.
Embalado por música lenta.

Semente de riso e choro.
No frio vai ter seu abrigo.
Um amor antigo.
Nossa história cantada em coro.
Somente se ficar comigo.

Um pouco de calma e tormento.
Pode ser isso, se assim me quiser.
Vozes sussurradas ao vento.
Às vezes um lamento.
Uma metade menina, a outra metade mulher.

Não haverá um “eu poético”.
Eu sem você sou nada.
Poesia real e conto cético.
Creio em “nós poético” nessa estrada.
Se me quiser apaixonada.

Sombras e luzes no ato.
Chuva de beijo e nenhum enfeite.
Sonho épico, realidade lírica é fato.
Sem assinar contrato.
Assim será caso me aceite.

Porque somos feitos de palavras...


Milla Borges

domingo, 19 de julho de 2009

Do meu jeito



Nem pense em me deixar partir.
Não admita o meu abandono.
Me segure pelo braço e faça uma declaração de amor.
E fale baixinho, porque gritos me aborrecem.
Nesses momentos eu sempre prefiro o silêncio, você sabe disso...
Apenas, peça para que eu fique. E faça isso da maneira mais doce que você conseguir.
Não pareça, nem tente ser autoritário, senão eu fujo.
E se eu começar a chorar, deixe...
Caso eu banque a louca, compreenda. Ou pelo menos finja que me entende. Você me conhece e sabe que minutos depois da crise, os soluços passam e a lucidez retorna.
Nem pense em me obedecer se por acaso eu te pedir para sumir da minha vida.
E se eu te mandar ir embora, fique.
Não me peça motivos ou explicações. Isso acaba comigo.
E não seja tão sensível. Pelo menos, não me deixe perceber o quanto é...
Eu conheço você. Cada expressão do seu rosto.
Sei exatamente o que você pensa, e não duvido do seu amor. Só que não admito isso.
Sim. É orgulho sim.
Olha, fale umas coisas bobas sobre sentimento... Faça algumas promessas simples, que nós dois sabemos que você não vai cumprir, mas faça assim mesmo. Você sabe que eu vou acreditar.
Eu sempre acredito.
Diga que eu fico linda quando fico louca. Gosto disso.
Diga também que você adora minha cara de raiva.
Você sempre consegue arrancar um sorriso meu quando fala assim... Eu odeio na hora! Mas só pra depois eu relembrar que nosso amor não tem tamanho...
Não me deixe passar pela porta.
Esconda a chave.
E se por ventura nada disso me contiver, use a força.
Me empurre contra a parede, olhe diretamente nos meus olhos e me beije.
Vou relutar... Continue.
Eu sempre acabo cedendo... Não resisto a você.
E adoro esses clichês.
Me mima... Desse jeito que só você sabe.
E por fim, me ame... E me deixe dormir encostada no teu peito.

Milla Borges

quinta-feira, 9 de julho de 2009

E ela é dessas



Nem sempre lúcida, às vezes plácida
Totalmente pálida

E ela é doce.

Tem dias que brilha, em outros se apaga
Vestindo transparência
Fosse pra onde fosse

E ela é linda.

Olhar marcante, meios sorrisos
Gestos rápidos e objetivos
Tem a voz rouca,
Ideal para seus gemidos
Frívola

E ela é louca.

Sai sem destino, não dá notícia
Seus horários são distorcidos
Ela não sonha
Virando noite, dorme de dia
Suas palavras não tem sentido

E ela é forte.

Conta mentiras, ri muito alto
Brinca com a morte
Só sai de casa se for de salto
Não sente medo
Tem muita sorte

E ela é esperta.

Mesa de bar é seu ambiente
Desapegada, está sempre certa
Ela é direta
Muito sagaz e inteligente
Está sempre alerta

E ela é querida

Não telefona, não faz promessas
Não tem pudor
É atrevida
E é tão livre e independente
Indiferente

E ela é dessas.

Ela é da vida.


Milla Borges