segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Uma garota de sorte...




Foi numa manhã que tudo se deu.
Numa manhã bem fria e ainda escura.
Uma dessas manhãs que se acorda muito antes da hora e não se consegue mais dormir.
E foi nessa tela que surgiu um quadro abstrato, de traços retos e muitas cores.
Pintei com tinta óleo e algumas idéias... Sem muito sentido, mas com muita alegria...
Ao terminar, agradeci. Simples...
Agradeci.
Essa, foi uma maneira singela que encontrei para agradecer a tudo e todos que fazem de mim uma pessoa mais feliz, trazem a mágica para minha vida e me fazem tão bem!


“Enquanto a cidade ainda está dormindo,
Eu vejo a vida da minha janela.
O sol está quase surgindo
Para pincelar esta linda tela.
Penso no quanto sou feliz
E agradecida por tudo
E nessa manhã Deus me diz
Em seu sussurro mudo,
Que me ama intensamente
E me faz pensar na vida.
Avalio o meu presente
E vejo o quanto sou querida!
Tenho amigos incríveis,
Que estão sempre comigo
Nos momentos possíveis,
Sendo pra mim um abrigo.
Tenho um amor verdadeiro,
Que faz de mim princesa...
Sempre atencioso e companheiro
Dando a minha vida mais beleza!
Tenho amor dos meus familiares
Que por vezes não reconheço,
Mas que amo aos milhares
Esse carinho que nem mereço.
Tenho minhas idéias e escritos
Para os sonhos, uma fábrica inteira...
Tenho a arte e os conflitos
Coisa séria que vira brincadeira!
Tenho ainda, amigos virtuais.
Que não vejo, mas posso sentir.
Eles existem e são especiais,
E fazem a fabricante sorrir
Tenho as flores e o céu.
Tenho ruas e a cidade.
Cubro esta tela com fino véu,
Para ter sempre a felicidade
Mas que tudo tenho a mim.
Tenho a música e minha voz!
A força do “não” e o doce do “sim"...
Tenho meus contras e meus prós.
Tenho uma vida incrível,
Bem ao alcance das mãos
Tenho o inatingível, o incabível...
Na tela de tinta, varias demãos.”

Milla Borges


quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Ele & Ela



Ele foi um menininho calmo. Ela, uma garotinha agitada.
Ele foi uma criança doce e obediente. Ela, malcriada e levada.
Ele se tornou um adolescente tranqüilo.
Ela se tornou uma adolescente rebelde.
Mas ambos tinham no peito um coração bom...
Ele estudava e aprontava no colégio, afinal, não era santo.
Ela matava aula, e aprontava fora do colégio, porém, sempre passou direto.
Ele sorria pouco e o fazia sempre de maneira discreta.
Ela transformava tudo em drama e gargalhava muito alto.
Ele, músico. Ela, atriz.
Ele, criado da maneira convencional: Mãe, pai, irmãs, todos debaixo do mesmo teto.
Ela, filha de pais separados, criada por tia e avó, tinha amizade com a mãe e perdeu o pai aos dezoito.
Ele fez durante um tempo faculdade de psicologia. Ela fez análise por alguns anos.
Ele tomava uma cervejinha. Ela se utilizava de artifícios ilícitos para se entorpecer.
Ele ia à missa. Ela, em boates.
Um dia, o destino cruzou seus caminhos e o acaso os uniu...
Por quê? Tão diferentes...

E quem pode com o acaso?

Ambos tinham seus respectivos compromissos, supostos amores...
Mas algo inexplicável os aproximava cada vez mais.
Ele que falava pouco. Ela que falava demais...
Ele que precisava de asas. Ela que precisava de freios.
Ele que queria correr riscos. Ela que queria paz e segurança.
E toda falta de afinidade, virou um grande amor.
De verdade.

E quem pode com o acaso?

Só ele conseguia acalmá-la e só ela preenchia suas pausas.
Um dia, estavam livres um para o outro e não precisavam mais se beijar escondidos.
E o beijo era o encaixe perfeito.
(Ainda é).
E ela foi à missa com ele. Ele na boate com ela.
Ela mudou por ele. Ele mudou por ela.
Quem diria...

E quem pode com o acaso?

Hoje ela é uma pessoa melhor e mais feliz.
E ele também é.
Ele nunca se sentiu tão amado.
E ela também se sente assim.
Acima de tudo, são grandes amigos. Sabem que podem contar um com o outro.
Ele mudou a vida dela. Ela mudou a dele.
Todas as diferenças os fortaleceram.
Eles amadureceram juntos. E continuam amadurecendo...
Eles se completam.
Metades.
E sabe? Vão se casar...

E quem pode com o acaso?

Milla Borges