terça-feira, 31 de março de 2009

A dança única



Dançarias?

Perguntou com a voz embargada.

Dançarias?

Uma única dança e nada mais... Era esse e só esse o seu desejo.
E quantas vezes imaginou esse momento.. . Quantas noites insones, sonhou acordado com uma dança. Uma única música. E ela.

Tão linda. Tão pálida. Tão Ela.

Fantasiou esse momento milhões de vezes! Por Deus! Milhões...

Fantasiava...

E via em seu devaneio... Suas mãos a tocar aquela mãozinhas, o seu braço a envolver a cintura fininha da donzela, Podia sentir seu perfume suave... Aquele aroma de flor do campo...
Via seus olhinhos negros brilhando para os seus castanhos.
E podia sentir o toque tão macio daqueles lábios vermelhos a tocar os seus... Tão tímidos.

A dança.

Dançarias?

Chegou o momento e o coração do rapaz saltava de paixão dentro do peito.

- Sim...

E como em seu sonho, um pouco desajeitado, tocou aqueles dedinhos frios, olhou nos olhos negros da mocinha e lentamente a conduziu pelo salão.
Pareciam flutuar por entre os pares dançantes daquela noite bonita de luar prateado.
E na cabeça do rapaz, um turbilhão de pensamentos explodiam desordenadamente, mais ou menos assim:


“ Tantas noites e desejos
Enquanto essa música durar
A sonhar com os teus beijos
Feito bobo a te admirar
Tão frágil e tão cheirosa
Aqui encostada no meu peito
Sua voz de tão melosa
Que me doa e eu aceito
E a paz dessa alegria
De te ter entre meus braços
É melhor que a fantasia
Pois preenche meus espaços
Que essa música seja infinita
E que viva como lembrança
A melodia mais bonita
E a magia dessa dança...”


A música cessou deixando um vazio entre eles.
Olharam-se nos olhos longamente, no mais profundo e absoluto silêncio.
E nesse silêncio eloqüente, trocaram as mais bonitas frases de amor...
E para sempre dançaram na memória...
E para sempre ouviram a melodia...
E houve uma dança.
Única.


Milla Borges