segunda-feira, 8 de junho de 2009

Numa madrugada...



Já são oito cigarros da madrugada e o sono insiste em não voltar pra casa.
Há duas doses atrás, de uma bebida qualquer, eu estava em paz, mas aqueles erros todos resolveram me visitar. Um motim de erros, todos contra mim.
Um capítulo lido e relido por mim esta noite.
Penso neles porque só eles me fazem companhia agora e rezo porque já viraram fantasmas.
Eu rezo e eles não me assustam.
A noite corre e eu fumo e eu bebo e tento entender o porquê de todos aqueles erros, naquelas datas. Analiso friamente o passado e vejo quantas oportunidades de acertar eu já desperdicei.
Enfim... Passado.

A culpa vem também e não adianta trancar as portas e janelas da sala, pois ela entra pelas frestas e se instala em mim. Superficialmente. Fica em mim.
Por algum motivo estranho não me preocupo, não me abalo (deveria?). Fumo apenas.
Deve haver algum antídoto para esses sentimentos ou uma dose mais forte de um entorpecente qualquer.
Alguma coisa que me anule agora.
Deve haver algum sentido...
A noite continua seguindo o seu rumo de noite, fazendo o seu papel. E eu me dissolvo na fumaça espessa do cigarro.
Os meus olhos pesam e a poltrona é macia.
Corrijo mentalmente cada erro que me recordo e me absolvo.
Já tive muitas dores... Não vejo necessidade de me machucar ainda mais.
É mais fácil, eu me perdoar e assim eu faço.
Amém.
Admito esse ato de covardia, pois o que mudou em meu interior só eu sei.
A verdade é que só interessa a mim, saber
Mas a culpa vem... Uma hora ou outra. Vem.
Um gole, um trago. E eu relaxo...
De forma peculiar, não me sinto mais a mesma, a mesma daqueles erros.
Sou outra, sou nova para cometer erros novos...
A noite, mais triste e sozinha agora (a noite, não eu...) dá seu primeiro sinal de despedida.
Eu e a noite só temos uma coisa em comum: essa frieza.
E quanto àquela que fui, só o cigarro permanece o mesmo.
Cinzeiro cheio, copo vazio, cabeça cansada e o sono retorna.
Nem me dou ao trabalho de ir para cama.
Fico pela sala.
Prefiro a poltrona, que é nova como eu.


Milla Borges.