terça-feira, 13 de outubro de 2009

Menino



O semblante era aquele terno de quem espera um sorriso.
O sorriso simples que se vier, vem com pena, de um semblante terno.
Uma pele preta, olhos úmidos e o tempo seria de brincar.
Mas a fome não tem tempo nem é terna.
Não é brincadeira.
Ela dói.
Era menino.
E ele menino, brincou de trabalhar.
Mas trabalho não é simples e quem passa tem pressa.
Não tem tempo para um sorriso, nem para se importar.
E por que se preocupar?
Ele não é o meu menino...
Mas eu tenho um sorriso e não me custa ofertar.
Simples e com pena.
Não tem como não doer.
E eu também tenho pressa.
Que fazer com o menino?
Que fazer pelo menino?
O sorriso do menino, em resposta ao meu sorriso, fez a lágrima rolar.
Será que ele tem nome?
Qual será a sua história?
Dá vontade de ajudar...
Ah, menino...
Que Papai do Céu te ilumine, e te proteja.
Que permita o seu sorriso.
Ah, menino...
Que quem passa tenha tempo de no mínimo pensar.
Que quem passa tenha ao menos um sorriso pra te dar
Ah menino...
Me desculpa, eu tenho pressa...


Milla Borges