quarta-feira, 17 de março de 2010

Chuva e Ciclo




Está chovendo.
Uma chuva intensa e espessa que pede licença aos céus para se derramar sobre a terra dos homens.
Eu a observo e a sinto tão gelada e forte.
Uma força que me toca e se conecta a mim através dos meus sentidos.
Água que é nuvem. Nuvem que é leve.
Eu sou essa chuva. E cada gota dessa água.
Sendo metamorfose e renovação do estado físico e da essência, num constante desaguar de si mesma.
E depois...
Cansada de escorrer pelas ruas, pelas palavras, pelas paredes e pelos sentimentos, ser capaz de evaporar, subir aos céus e tornar a ser nuvem. Ser leve.
Envolvida e feita de leveza, flutuar livre, até que o peso natural, das coisas naturais dessa vida, me obrigue a desaguar... A desabar novamente.
Ainda está chovendo...
Este é o ciclo da chuva. O que há de mais natural nesse mundo, diante dos meus olhos.
É também o meu ciclo de leveza, densidade, renovação...
E hoje, eu só quero chover...

Milla Borges