segunda-feira, 21 de junho de 2010


Nunca houve então o perfume que o revelasse a paixão.
Nunca houve crise de ciúme ou arrebatamento que pudesse acelerar o coração.
Faltava-lhe na vida, um toque feminino, suavidade de mulher, ou justificativa para todo o vazio que pudesse ser preenchido de alegria.
Ao corpo, faltava o calor, ou momentos de desatino, irresponsabilidade qualquer...
Mais instinto animal, mais cio...
O que pudesse lhe dar um sentido ou presença que lhe fizesse companhia.
Nada disso havia.
Tudo assim se resolvia.
O fato é que não tinha anseios. Não desejava com ardor coisa alguma.
Não cobiçava as vizinhas e seus seios. Amor? Que nada!
Um primitivo insensível em suma.
Será que a ausência afetiva lhe vestiu a capa da agonia?
Ou a paz da solidão lhe cobre o corpo e alivia?
Não sente. Não sente falta de pés roçando os seus no frio da noite, do gozo de anoitecer amando entre carinhos... Carinhos e açoites. (E porque não? A dor acompanha de perto tudo aquilo que se dá intensamente. Há jeito de descobrir o seu desejo. O prazer é inerente ao que a sensação física pede. Tapa pra quem é de tapa. Beijo pra quem é de beijo.)
Mas nem disso havia procura, ou a loucura, quem sabe a cura, para toda noite escura que passava só e consigo.
Tudo que acontecia não tinha razão de acontecer ou não era para ter acontecido.
Nem tapa. Nem beijo.
Sendo fraco era forte. Nem de vida, nem de morte... Sua vida, um recorte. Uma página rasgada de um livro envelhecido.

Milla Borges



Sonhadores,
Mais uma vez agradeço aos comentários e palavras tão lindas que me escrevem.
Fico feliz. Mesmo!

Deixo aqui, mais uma postagem doida do blog Alienatio Mentis:

www.millaborges.com/blog

Um beijo enorme no coração de vocês!
Ótima semana!