domingo, 26 de setembro de 2010

Ode (silenciosa) à solidão



Pelos laços desfeitos
Por nossos defeitos
Pelo que não dá certo
Por todo desafeto...
- Brindemos à solidão!

Pela causa perdida
Pela paz escondida
Por todo tormento
Por cada lamento...
- Brindemos à solidão!

Pela escolha errada
Pela voz abafada
Pelo caos instalado
Pelo amor alterado...
-Brindemos à solidão!

Pela dor verdadeira
Por toda cegueira
Pelo ato da maldade
Por toda falsidade...
- Brindemos à solidão.

Salve toda hipocrisia, as conversas vazias,
Essa superficialidade, Salve!
Salve o desinteressante, as relações distantes,
O peso da iniqüidade, Salve!
Salve a ilusão do eterno, os romances modernos,
As tentações e deslizes, Salve!
Salve a solidão dos amantes, os amores errantes,
Os finais infelizes, Salve!

Para os becos, saída
Para a morte, a vida
Para o frio, calor.
Para o beijo, abraço
Para o tempo, cansaço
Para o mundo, amor.

Para os casais, ofício
Para as brigas, desperdício
Para os perdidos, direção.
Para seguir, caminhos
Para os outros, carinho
Para mim, solidão.

...
(Porque às vezes me é preciso.)



Milla Borges