quarta-feira, 17 de agosto de 2011

É só mais um desses sentimentos que resolveram não morar mais em mim...

Acredito que a vida possa ser leve.
Talvez seja, para aqueles que não praticam tão intensamente o exercício do pensamento. Mais que pensar, o peso que cai sobre mim deriva dos muitos sentimentos que absorvo e trituro em meu interior.
 Não há um filtro. Eu mesma me tornei o próprio filtro.
Tudo o que chega até mim através dos sentidos passa por todo o meu ser, para depois se instalar ou ir embora... Não importa.
Tudo passa por mim. Tudo sinto. E nada fica igual.
Essa carga de instabilidade que transpassa a vida traz consigo grandes mistérios...
 (...)
Acho que estou cansada...
Não cansada da vida, ou cansada de viver. O que me cansa é o esforço que faço para me manter viva. Viver tem exigido muito de mim...
Bem, talvez se não houvesse o esforço também não haveria graça. E tenho que admitir: A vida tem graça! Está cheia de graça. Faz graça. É de graça.
(O que custa caro é o preço que pagamos pelas escolhas que fazemos).
No mais, quero que fique claro que, o que aqui declaro não é uma reclamação, tampouco um protesto ou algo do gênero. Longe disso! É só mais um desses sentimentos que resolveram não morar mais em mim...
Eu só queria descansar um pouco... Por uns tempos...
Não falo de um descanso da vida, mas sim a uma pausa nos sentimentos.
Dar um tempo nas verdades das sensações.
O que sinto hoje é um desejo profundo de neutralidade, de ignorância. Desejo de ausência...
(Mas até o desejo é uma sensação).
É... Pode ser que eu não ande mesmo muito bem da cabeça, mas me ocorre uma felicidade larga quando penso numa vida branca...
(Mas até a felicidade é um sentimento).
O que de fato me importa, é que apesar do peso, de todo cansaço, a minha alma ainda está inteira! E o meu corpo, mesmo relutante, está preparado para mais esforços.
Afinal, meu “eu” quer mais é viver do jeito que for.

Milla Borges


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Tentativa infeliz


O que seria se não fosse tudo o que me aconteceu? Desde que nasci? Tudo o que me aconteceu... O que seria de mim se fosse tudo diferente?


Eu tenho uma curiosidade profunda pelo passado, que gera o presente, que cria o futuro...
Estou aqui sem te reconhecer, sem saber quem és, rasgando a porra do peito o peito.
Eu então que acredito na vida, na minha hermética vida, a explorar cada canto meu que eu não queria que soubessem... Revelo meus esconderijos sem saber e quando percebo, todos já sabem de mim.
É que me acostumei com porra da a insegurança. Essa coisa que me cega e me faz viver na corda bamba e cada passo. E é tão difícil caminhar...
O que fazer de mim, meu Deus? O que fazer????
Eu seria uma morte aguda e profunda e cética se não fosse tudo o que vivi...
Eu seria um nada tão nada quanto o cuspe do cara bêbado na calçada... Por que tudo que não fez sentindo, continua não fazendo. Não muda não. Não faz sentido. Aceite esta merda, se quiser!
 Então eu questiono... Precisa fazer sentido?
Precisa.
Porque eu morri várias vezes para renascer.
Muito prazer. Meu nome é Fenix renascida das cinzas, do breu de porra nenhuma.
O que eu tenho, agradeço por ter. O que não tenho, procuro culpados.
Quero a minha vida do jeito que ela existe na minha cabeça. Isso sim faz sentido...
Eu vivo como se cada dia fosse o último e caio, e faço merda e recaio e falo coisas... Muitas coisas, das quais me arrependerei depois... (e remorro, e renasço)
Não sei. O não saber me dá a mão agora e me guia. Dê-me também a sua mão. Você que eu desconheço me salvará de mim.
E o que fazer da saudade filha da puta esmagando meu peito?
Eu sei disso. Que merda... Olha eu bancando a Blanche DuBois... Mas há um “Bonde chamado desejo”...  Há também um Bonde chamado angústia.
E é nesse que eu vou...
E parto.
Sem saber de mim.
E me entrego. Entro na minha escrita, minha vida, minha história, minha angústia...
Entrego tudo a ti, que não conheço.
Me salva!


Milla Borges