sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Tentativa infeliz


O que seria se não fosse tudo o que me aconteceu? Desde que nasci? Tudo o que me aconteceu... O que seria de mim se fosse tudo diferente?


Eu tenho uma curiosidade profunda pelo passado, que gera o presente, que cria o futuro...
Estou aqui sem te reconhecer, sem saber quem és, rasgando a porra do peito o peito.
Eu então que acredito na vida, na minha hermética vida, a explorar cada canto meu que eu não queria que soubessem... Revelo meus esconderijos sem saber e quando percebo, todos já sabem de mim.
É que me acostumei com porra da a insegurança. Essa coisa que me cega e me faz viver na corda bamba e cada passo. E é tão difícil caminhar...
O que fazer de mim, meu Deus? O que fazer????
Eu seria uma morte aguda e profunda e cética se não fosse tudo o que vivi...
Eu seria um nada tão nada quanto o cuspe do cara bêbado na calçada... Por que tudo que não fez sentindo, continua não fazendo. Não muda não. Não faz sentido. Aceite esta merda, se quiser!
 Então eu questiono... Precisa fazer sentido?
Precisa.
Porque eu morri várias vezes para renascer.
Muito prazer. Meu nome é Fenix renascida das cinzas, do breu de porra nenhuma.
O que eu tenho, agradeço por ter. O que não tenho, procuro culpados.
Quero a minha vida do jeito que ela existe na minha cabeça. Isso sim faz sentido...
Eu vivo como se cada dia fosse o último e caio, e faço merda e recaio e falo coisas... Muitas coisas, das quais me arrependerei depois... (e remorro, e renasço)
Não sei. O não saber me dá a mão agora e me guia. Dê-me também a sua mão. Você que eu desconheço me salvará de mim.
E o que fazer da saudade filha da puta esmagando meu peito?
Eu sei disso. Que merda... Olha eu bancando a Blanche DuBois... Mas há um “Bonde chamado desejo”...  Há também um Bonde chamado angústia.
E é nesse que eu vou...
E parto.
Sem saber de mim.
E me entrego. Entro na minha escrita, minha vida, minha história, minha angústia...
Entrego tudo a ti, que não conheço.
Me salva!


Milla Borges

10 comentários:

  1. Assim deste nosso jeito fiel
    caminhamos do inferno ao céu
    sem medo de num novo caminho cair
    pessoas como nós, só sabe seguir
    acreditando que a vida é para viver
    e que só os fracos, gostam de se esconder
    por isso não tenha medo de ser feliz
    mesmo sabendo que vai colecionar cicatrizes...

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  2. Muuuuuuuuuuuuuuito legal esse blog.. não sei como cheguei aqui, mas gostei muito...
    Aí... ajuda a gente la na nossa campanha cruel hahahaaha
    http://288ensaio.blogspot.com/

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  3. Minha querida

    Um texto muito belo...a vida é feita de momentos que devemos agarrar, porque ele passa tão depressa, adorei e deixo um beijinho.

    Sonhadora

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  4. Ei Mila, A vida por vezes pede borracha né? Ou tempo para compreender a escrita da estrada.

    Beijo grande,

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  5. Mas o que é isso???? Tá muuuito bom o escrito, mas... será tudo verdade, ou fingimento do poeta? Torço muito pela segunda opção. Mas de qualquer maneira, a ajuda já está a caminho, pois verbalizar, ou melhor, "escrevinhar" o sentimento já meio caminho para a cura do mal que nos aflige. E, uma coisa te digo: é muito bom ser poeta nestas horas,rsrsrs...
    Bjks.
    Tia.

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  6. oi, sei nem o que dizer dessa escrita,
    Muito intenso.
    Amei demaus

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  7. Muito bom o texto.

    Tão intenso e tão bem escrito.

    Porém no tempo verbal errado. Um dia verei esse texto reescrito no pretérito imperfeito.

    Eu te amo muito e estou contigo pra reconstruir novas histórias...

    Beijoooooos

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  8. adorei!

    lâminas que combinam...

    fiz um blog há pouco...

    Vai lá?

    in agradecimento!

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  9. É ótima a forma como você dispõe as palavras. Muita identificação nessa agonia toda.
    Parabens.

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