quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Meu íntimo

Em contato com a pele, areia. Para os olhos, horizonte.
Pensamentos perdidos...
Nem canto. Nem sereia
Desejos jogados ao vento.
No mar um barco a vela me leva, pra onde?
Palavras desperdiçadas nos tortuosos dias que seguem.
Para que se utilizar dos bons conselhos?
Eles me servem?
-Não afirmem, não neguem!
(E quem sabe?)
No mar, transparências, espelhos.
Desfaz-se meu barquinho de papel
(Há dor que se acabe...)
Braço forte, que venha a morte.
Lanço meu olhar ao céu
Não temo.
Às vezes dobro os joelhos
Nesse barco que me leva,
Eu remo.
Suplico a calma, fortaleço a fé
Avisto o farol.
Em mim, não chove, não neva.
Só venta, sem sol.
Leve, ponho-me de pé.
Renovo a alma.
E sigo...


Milla Borges