quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Cárcere



“…lamentar a fraqueza do espírito humano – esse frágil espectro incapaz de sobreviver sem a ilusão, sem o encantamento, sem esperanças impossíveis ou mentiras vitais.”

Dr. Irvin Yalom
(Trecho do livro Quando Nietzsche Chorou)


Simples são teus versos fortes, suas palavras vivas.
Suas mentiras, doces ilusões, que salpicam em mim suas gotas sujas, para que eu sempre me molhe de você.
Mergulho nos rios dos teus lábios e entrego-me sendo refém de sua lábia...
Teu seqüestro covarde não me ofende. Não crio resistência. Teu poder de fogo não me amedronta, mas me convence bem...
Tuas amarras são sempre uma ameaça. Minha liberdade em tuas mãos.
Meu corpo, esperando o teu corpo.
Sofro.
Prazer e desejo unem Eros e Pisque.
Algemada, me arrasto contigo ao teu cativeiro.
Ouço o tilintar de tuas correntes.
Teus versos secos. Tuas palavras tépidas.
Não luto. Permito. Solto um grito.
Um gemido.

(...)


Rendo-me, Carrasco!


Milla Borges