sexta-feira, 11 de março de 2011

Metáfora

Pertence às flores o cheiro que lhes cabe,
Característico aroma do florescer.
Em meu jardim, apenas há o que se sabe
Sobre as cores das quais necessito saber.
No céu, do azul retiro água
Que se faz chuva e derrama-se em choro
Lavando, vai. Levando embora a mágoa.
O que sobra, o vento assopra...
Desdobram-se pétalas rosas,
Aos versos cantados em coro.
Colho fruto maduro do pé
Recolho verdes fortes galhos,
Pela grama respingada de orvalho
Tudo parece (natural) quanto é.
Botões vermelhos, insetos, passarinhos
Sob o dourado do Sol, feito tocha,
O que resplandece é o que desabrocha
Dourados, avermelhados, poéticos espinhos...
Para plantar um sorriso sincero
Nesta face pálida de sal
Os corações que hoje dilacero
De coração, não levem a mal...
E cores, empresto às visitas
Borboletas bailando bonitas
Que vem enfeitar o meu jardim
Enchendo de pólen e encanto
Os ares desse recanto
E voam pra perto de mim.
Metáforas despencam do alto
Das árvores pendem verdades
São essas raízes que exalto,
E dão flores de felicidade.
Cultivo a vida, sem dela ter nada
Rego os dias (com tais poesias)
E magicamente da terra molhada,
Brota minha paz, de sementes vazias...

Milla Borges