domingo, 22 de maio de 2011

Mundo replay


Não há originalidade!
Adeus mundo repetitivo! Quero o divórcio.
Não sigo contigo para o mesmo.
Só vou aonde houver a novidade!
E há este lugar, mundo replay?
Talvez haja, longe daqui...
O que consigo tocar com meus olhos são as mesmas palavras de sempre.
Sentir o cheiro dos mesmos perfumes.
Todos os dias, os mesmos caminhos...
E tudo se repete.
Repete.
Repete.
Nada se cria tudo se... Repete.
Repete.
Repete.
O cansaço dos mesmos rostos, das mesmas vozes, mesmo mundo, mesma vida.
Todos os dias, as mesmas vinte e quatro horas.
Tic. Tac. Tic. Tac. Tic. Tac.
É sempre o mesmo mesmo. Sim, o mesmo mesmo de sempre e sempre.
O ontem, por exemplo, é o prenúncio do hoje. E o hoje não passa de uma cópia do que será o amanhã...
(Ou o amanhã é a cópia o hoje? Enfim, não importa!)
A vida passa, os dias passam iguais.
A minha vó vê mudanças, eu vejo disfarces daquilo que já havia...
Aliás... Vamos entrar mais a fundo nessa história:
Tudo é cópia da cópia.
Desde o começo é: ACREDITE! É.
Oh! Estraguei a surpresa?! Desculpe... Mas É assim mesmo.
Não há nada que seja novo.
Tudo já estava ali ó, na natureza...
Somos apenas capazes de cópias, simulacros...
Aaaaah! Faça-me o favor.
Eu quero que alguém invente uma nova água, um novo ar para respirar...
Vai inventar? Vai criar uma nova escrita, um novo ser, um novo povo?
Coisa nenhuma! Vai é maquiar o que já é.
É assim que funciona. Copiar para evoluir, evoluir para fazer mais cópias...
Há sim um jogo de imagens, tentando me enganar, ludibriar meus olhos...
Mas eu que não sou boba nem nada, vejo o idem, o igual... Tudo espalhado e camuflado por aí.
E me desculpe se estou sendo repetitiva.
Estou ou não estou inserida na cultura?
Faço ou não faço parte deste rebanho?
Já reparou como estamos nos tornando cada vez mais iguais?
As mesmas roupas, as mesmas comidas, as mesmas músicas, os mesmos cortes de cabelo...
Cultura de massa faz isso com a gente... Cada vez mais sozinhos, cade vez mais iguais para sermos aceitos. (Apesar de nossas diferenças, e isso é o mais louco desta história toda!)
Mais consumo, mais consumo, mais consumo.
Bem... Vou por aí procurar minha subjetividade, que deve estar perdida em uma esquina qualquer.
Tchau, mundo replay!
Adeus!
Quero o divórcio.
Fale com o meu advogado.
Sem mais.
Sem mais.
Sem mais.

Camilla Borges