domingo, 20 de maio de 2012

Borboletices


A vida é ciclo.
Um circuito que percorremos e nesse trajeto, caímos, levantamos, nos transformamos, nos superamos, voltamos a cair e voltamos a nos levantar, e então choramos e então sorrimos...
O barato da vida está em suas transformações.
A beleza da vida está em suas nuances.
Quantas cores diante dos nossos olhos e sequer conseguimos ver?
Sejamos, pois, borboletas!
Aprendamos com seu ciclo de vida:

- Ovo : Voltemos à graciosidade de ser criança, de se fazer pequeno.
É preciso não abandonar a fantasia e a inocência...
Vamos relembrar as histórias, o colo, a mágica!
Brincar com a vida e não simplesmente passar por ela.

- Larva: Encarar a vida com olhos de gente grande!
De repente surge toda sorte de compromissos e ser lagarta é uma responsabilidade muito grande. É o período da construção. Nesse momento, as lagartas comem muito, criam reservas.
Estudar, trabalhar, criar laços. Façamos isso com afinco. Isso não é mau. O importante é sabermos dar a leveza necessária a cada uma de nossas atitudes. E crescer da maneira mais digna e bonita que nos seja possível. O tempo urge. As coisas acontecem. E o equilíbrio em nossas ações é o que faz a diferença enquanto somos lagartas. Afinal, não queremos despencar dos galhos, queremos nos firmar em nosso espaço.

- Pupa: Chega um momento em que estamos tão cheios, tão fartos, tão cansados...
Ser lagarta cansa, e atire a primeira pedra quem nunca sentiu aquela vontade de se recolher, se reorganizar, promover mudanças internas para que a vida seja dádiva e não dúvida.
E então, quando chega esse momento, devemos ser pupa, que se desenvolve dentro da crisálida, do casulo. É preciso tecer esse casulo, tecer com as linhas da verdade e do discernimento. Silenciar, refletir e mais que tudo, desejar e permitir a mudança.
No casulo, está a potencialidade do ser. Às vezes não é tão fácil, nem tão simples, mas a  metamorfose é o grande presente deste ciclo. Permita-se!

- Imago: E depois de tudo isso, a metamorfose está completa! Chegou a hora de beber o nectar da renovação. Eis que surge a fase adulta, o amadurecimento.
 Muito prazer: Borboleta!
Esta metáfora da ressurreição, do renascimento...
Sejamos, pois borboletas, graciosas e ligeiras. Livres para voar com nossas próprias asas. Prontas para alçar vôos mais altos! Colorir não só a nossa existência, como a daqueles que nos rodeiam. Buscar nos jardins da vida o polén da felicidade, sempre lembrando que, se a vida é ciclo, podemos sempre recomeçar. Voltar a ser ovo, passar por todo o processo novamente, estar aberto às mudanças e transformações que nos são tão necessárias...
Sempre será possível sair borboletando por aí...

Aproveite, mude, transforme-se...

... e voe!

Milla Borges





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Curiosidade: Na mitologia grega, a personificação da alma é representada por uma figura feminina com asas de borboleta. Segundo as crenças gregas populares, quando alguém morria, o espírito saia do corpo com a forma de uma borboleta.