quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Sementes


Eu sinto dó daqueles que se acham maduros demais e não se permitem uma travessura de vez em quando.
Sinto também por aqueles que se acham inteligentes demais e não se permitem arriscar e quem sabe, aprender com um erro ou outro.
Sinto tanto por todos aqueles, sérios e carrancudos, que não retribuem um sorriso, nem correspondem a um olhar afável.
Sinto pena daqueles que se acham suficientemente bons para não precisar de ninguém.
Eu sinto por quem sente inveja de quem ri, de quem é autêntico, de quem ousa, de quem não tem medo de chorar...
Tenho dó de quem não sabe perdoar, de quem coleciona desafetos, de quem tem uma lista considerável de “pessoas que eu ignoro ou não falo”.
Lamento por todos que não conseguem passar bem sem fazer uma fofoca ou uma intriga, esquecendo-se que uma palavra basta para destruir uma pessoa.
Sinto muito pelos amargos, tristes, frustrados e infelizes... Por aqueles que se entristecem com a felicidade alheia.
E a cada dia que passa, admiro mais e mais aqueles que se aproximam do que eu chamo de humano.
Aqueles que erram, que se arriscam, que sorriem, que praticam o bem, e que apesar das limitações estão sempre tentando ser alguém melhor...
Aqueles que vivem sem medo, se esforçam para ajudar o próximo, que demonstram carinho e que apesar de todos os pesares dessa vida, insiste num caminho de amor, bondade e justiça...
A estes, todo meu respeito e admiração.
Sei que ninguém é perfeito, sei que somos múltiplos em todos os sentidos, temos dias bons e dias ruins, e aí talvez esteja todo encanto do ser... Mas acredito que, colhemos exatamente aquilo que plantamos. Recebemos aquilo que doamos.
E é por isso, que quanto mais a vida me ensina, mais apreço eu tenho pelas boas sementes...

 Milla Borges