quinta-feira, 13 de junho de 2013

De Noite


Era noite e eu resolvi caminhar um pouco.
Vesti um casaco fininho e me atirei nas ruas desertas da cidade...
A lua estava viva, estava majestosa na solidão daquele negro céu... Olhei os prédios, vi as luzes de alguns apartamentos e imaginei as famílias felizes que, juntas, jantavam e falavam de suas vidas... Continuei seguindo, meio sem saber pra onde.
O ventinho da noite me trazia saudades do meu adolescer... As aventuras, a madrugada sempre amiga, os amores escondidos, os beijos no portão...
Ahhh quantas histórias, quantas memórias, quantas sensações guardadas em mim. Como é bom revivê-las em pensamento, como me é agradável a noite vazia e tudo o que ela ocasiona em meu interior...
Além das lembranças, os sons dos meus passos, alguns faróis, morcegos... Tudo isso me envolvia naquele anoitecer tão meu. Tão eu. Tão só.
Meu caminhar fluía por ruas e esquinas e praças... Muitos passos, muitas poesias noturnas brotando. E um arrependimento: Não havia levado meu bloquinho de papel...
Tudo bem... Inspiração retorna, se refaz num momento qualquer.
Num passeio da noite, num devaneio do dia, numa vida de fé, nas horas de luxo, nas risadas bobas... A inspiração uma hora ou outra me encontra... Não tem jeito.
De repente eu estava de volta ao meu portão. Subi as escadas. Entrei em casa...
Tomei banho.
Adormeci.

Milla Borges



Um comentário:

  1. Consigo viajar em seus textos, imaginar você caminhando pela cidade assim como narra no texto e chego até a te acompanhar em seu passeio noturno...

    Grande beijo,
    Mary Jane

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