segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O tal do amor

O que me salva da vida é o amor que sinto.
A rotina sufoca, o tempo corre, a cabeça explode, os nervos enrijecem, o sangue ferve... Mas o amor está ali.
No momento da pressa, o amor traz a calma. No instante do berro, ele traz o silêncio. Na hora do drama, ele se encarrega de me trazer o sorriso...
É... Ainda bem que existe o tal do amor para o resgate dos dias sem fim.

 Milla Borges

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Cacos

Restos de mim espalhados pelos cantos da casa, como se um dia eu tivesse sido corte. Nunca fui. Também não é certo dizer que fui metade, porque ao meio encontra-se certo equilíbrio. Equilíbrio não combina com o meu emocional. O que também não significa que nunca fui inteira. Na verdade inteira eu fui, inteira eu sou. Hoje é que estou em pedaços. Algumas partes aproveitadas para um bem muito maior, partes doadas ao lúdico, ao sonho, à imaginação. Os restos ficaram espalhados na realidade dessa casa fria.
Nem bem me junto, já existe algo disposto a decepar partes inteiras de mim. Fragmentar sentimentos, expandir conflitos, estender as tensões. Acostumei a ser assim. Acostumei a deixar que a vida me faça isso. Vez ou outra agradeço a viagem. Me jogo, me lanço, me solto no vento e me deixo levar. Se o pensamento voa, deixo que o corpo, inteiro ou não, voe junto com tudo que seja leve o suficiente para decolar.
As partes vagas, o vago pensar, não há vagas nos meus espaços que caibam pedaços alheios. Preencho-me com o que leio aqui, o que ouço ali, ou o que eu invento nas horas vagas. Separo o que fica. Clareio.
A casa continua fria, são restos quentes no chão.
Me apanhe.
Me leve no bolso se não couber no coração.
Transbordo.

 Milla Borges