terça-feira, 16 de abril de 2013


Sofro a dor dos angustiados, dos sensíveis, dos poetas.
Penso demais, falo demais, me ausento demais, erro demais...
Minhas palavras intranquilas sujam os papéis, mas não produzem o alívio esperado.
Me perco noite a dentro em meio as letras, e cigarros, e pensamos desconexos, ideias soltas, e não encontro em mim um sentido que defina meu ser. Meu ser assim...
As unhas já roídas, o coração também roído, os sentimentos corrompidos, estilhaçados.
Tomo o cuidado de manter as portas fechadas, bem como meus olhos.
Nem o vento nem a luz são bem vindos por aqui, pelo menos por enquanto.
Nada pode ser levado ou visto sem antes estancar esse rio de devaneios que escorre daqui de dentro.
Os sentidos aflorados gritam, mas todas as palavras decidiram se calar.
O que fazer? Como lidar?
Esquece!
Rasgo tudo com uma fúria de morte, e faço chover pela janela a poesia que não nasceu...

Milla Borges