quarta-feira, 24 de abril de 2013


Eu continuo aqui, perdida nos becos desconhecidos dos meus sentidos, nas confusões dos meus sentimentos desordenados e desconexos, tentando encontrar as explicações que me cabem para que eu possa conseguir o tal equilíbrio que tanto preciso. Meus olhos já não são mais capazes de ver e distinguir as formas e as cores que o mundo me oferece. Então, eu sinto a vida através do toque e vou tateando meus espaços para saber exatamente onde estou. Essa habilidade do tocar soma-se ao desastre do sentir. Sempre fui desastrada e tendo assim derramado aquilo que sinto, por vezes, habita em mim um vazio. Um vazio que rasga o corpo por dentro.
Tenho aberto mão de valores nunca antes desprezados e o exercício intenso da vida se torna o grande causador das maiores culpas, das maiores punições e das mais covardes torturas psicológicas. Para não surtar, me utilizo da palavra e do silêncio, alternando-os de acordo com minhas necessidades, anestesiando deste modo o coração.
O único problema desse procedimento é que o tempo da anestesia é curto e chega o momento que nem as palavras mais doces e nem o silêncio mais absurdo consegue segurar os impulsos do peito. A cabeça é fraca e o peito é mandão demais. O conflito é doloroso. Dói muito. Dói uma dor apertada, sentida...  Uma dor que precisa se dividir e ser dividida.... Mas aí é que está... Quem se interessa pelo sofrer alheio?
O grande segredo está em aprender a sofrer quietinha. A extrair da dor uma calma que só quem sofre é capaz de ter. Aprimorar minha habilidade de pintar sorrisos e, deixar que o amanhã chegue para aliviar a tensão do hoje.
Cada dia tem o peso da solidão e o vazio acaba se tornando companhia, já que eu renuncio a liberdade.
Não há mal nenhum em ser assim. (Não há contradição maior que ser assim.)
Ando meio cansada disso tudo... Acho que estou fora de mim. Em algum lugar por aí.
É...
Um dia eu me encontro em meio aos tumultos de mim mesma.
Um dia aprendo a estar viva.

Milla Borges