quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Espera


Ainda que me fosse dada a chance de um encontro despreocupado com o acaso, eu o temeria.
Não lido bem com a insegurança do incerto e confesso um medo certo das reações. Porém, de todas as reações possíveis, a indiferença é a que mais me faz tremer.
Tenho pensado muito em um confronto, contudo, ainda não me encorajei suficientemente...
Quem sabe um dia?
Até lá, nada muda.

Milla Borges

Seduzida pela palavra I


Ter esse relacionamento estreito com as palavras às vezes me serve como redenção, às vezes como castigo.
Palavra é coisa perigosa quando usada sem o devido cuidado pois seu poder é transformador e indefensável. É capaz de machucar, de ferir até a alma.
Em contrapartida, usar palavra como remédio é também de grande valia pois se algo dói por dentro, palavra cura e salva. É anestesia natural para casos do coração. É analgésico quando há feridas invisíveis e abertas espalhadas pelo corpo.
Há na simplicidade da palavra uma complexidade singular, e é exatamente essa dualidade que torna todo e qualquer discurso fascinante. Repito: TODO e QUALQUER.
A palavra envolve, seduz num jogo cego de poder, de liberdade, e mimeses e metáforas e hipérboles... A palavra te chama. Me chama. Me diz vem. Me traz o mundo e me tira a vida. Me devolve tudo em vida literária, em tom e escrita.

Milla Borges