quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Sou eu


Um dia eu desejei a calma plena e a paz constante.
Desisti. Viver é isso... É reboliço.
E eu só sei viver assim, com urgência e atropelo.
Erro por falar demais, me machuco por me abrir demais...
As críticas chegam, pois eu falo o que penso.
Os julgamentos ocorrem pela verdade que há em mim.
Mas, e daí? Eu sou assim. Essa sou eu.
Reorganizo meus sentimentos e cinco minutos depois, bagunço tudo de novo.
Não quero formatos, nem modelos, nem o medo da entrega, nem a passividade...
Minha voz é ativa, minha personalidade é forte e o meu ser é inteiro.
Se for pra envolver, que seja por completo
Se for pra amar, que seja muito.
Se for pra expor, que seja a verdade.
Se for pra sofrer, que me deixem doer.
Se for pra chorar, que seja um rio.
Se for pra sorrir, que seja um exagero.
Se for pra viver, que seja INTENSAMENTE...
É assim que eu sei existir.
E só desta maneira me é possível ser feliz...

 Milla Borges


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Conselho


Sabe, rapaz... Eu tenho um universo aqui dentro. Um universo em formação que ora acalma ora explode. Ainda é perigoso que alguém habite aqui por um longo período de tempo, pois eu nunca sei ao certo quando o terreno irá mudar...
Mas é que eu sinto falta de ter alguém por dentro e então eu abro a porta, dou guarita, deixo entrar, se achegar, e até fazer morada, mas aí o tempo passa, um meteoro cai, tudo inunda e quem está dentro se afoga no meu corpo até morrer.
Eu sei da sua coragem, rapaz, do seu querer... Eu sei... O problema todo é que eu te vejo envolto nessa camada fina de vida, tão frágil... Que se eu deixo você entrar, eu te destruo em pouco tempo...
Não se arrisca rapaz...
E não me venha com carinhos que eu não sei dizer que não...
(Eu avisei... Eu avisei...)

Milla Borges


terça-feira, 28 de outubro de 2014

Melodia


Ouço a vida no canto da cidade. De algum canto, me ponho a cantar.
Na turbulência das horas urbanas, na violência do tempo que urge; do acorde que surge; sonoros corpos esbarram na melodia uns dos outros.
Orquestrados, seguem suas notas e afinam seus tons.
Em mim há descompasso e quase tudo desafina... 

Milla Borges

domingo, 26 de outubro de 2014

Positive Vibes


Lembre-se de renascer a cada manhã.
Renovar os desejos, alimentar as esperanças, reavivar os sonhos.
Lembre-se de sorrir, mesmos naqueles dias em que tudo dá errado...
Sorriso contagia, fortalece a face, e, mais que isso, acalenta o coração.
Lembre-se de reinventar seu modo de olhar para vida...
Busque outras perspectivas, outros hábitos, outros sentidos.
Lembre-se que, de vez em quando, é preciso vencer o óbvio...
Mude seu trajeto, vista uma roupa diferente, faça um novo penteado...
Reclame menos, elogie mais, ligue para aquele amigo que você não vê há tempos...
Faça uma boa ação, abrace muito, e beije também.
Conheça gente, leia bons livros, alimente-se, dê valor a quem te ama.
Agradeça a Deus, troque uma ideia com Ele... Tenha fé. Seja luz.
Dê uma chance para o amor, ele pode estar bem pertinho.... 
Lembre-se de maneira definitiva - para nunca mais esquecer – de ser feliz!
A felicidade é simples, palpável e possível. Deixe-a entrar...
Abra os olhos. Ganhe o mundo. Viva intensamente...
E depois volte trazendo boas notícias...

Milla Borges



quinta-feira, 23 de outubro de 2014

De manhã


Hoje, bem cedinho, acordei um pouco assustada, o coração aceleradíssimo. Muitas palpitações.
Um ataque de ansiedade, uma coisa no estômago, a cabeça confusa... Não entendi muito bem aquilo.
Tentei me levantar, fiquei tonta, a vista turva. Deitei novamente. 
Contorci-me na cama, tentei dormir um pouco mais. 
Que hora mais sem jeito pra ficar ansiosa. Ansiosa por nada. Mas o sono não veio.
Então eu chorei. Na verdade eu me deixei chorar... Pra aliviar, pra ver se aquela sensação passava. Pra lavar o corpo por dentro, me deixei ser muitas lágrimas e soluços sem razão.
Chorei tanto... Senti medo. Quis um abraço. Não tinha. Constatei-me só. Chorei mais...
Pensei na vida, no futuro, no passado, nas culpas, nas dúvidas, nas incertezas, nas certezas...
Desfiz-me em lágrimas sinceras, lágrimas inseguras e infantis.
Senti saudade de Deus...
Lembrei-me da voz que me disse um dia desses: “Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam...”
Depois comecei a respirar bem devagarzinho. Imaginei o ar entrando por minhas narinas, indo até os pulmões e saindo pela minha boca bem lentamente. Fiz isso por alguns minutos e fui me acalmando. Fiquei um pouco mais serena. Com a alma mais tranquila.
Outro dia eu li que as mortes súbitas acontecem, geralmente, pela manhã. Eu acho que é porque de manhã estamos mais desprotegidos, sabe? Mais frágeis.
Tenho sido extremamente cuidadosa com as minhas manhãs... Não quero morrer subitamente.
Também não quero viver com o peito apertado.
Quero acordar em manhãs calmas, me sentir viva e seguir o caminho que é meu.
Sem medo.

Milla Borges.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Fantasia


Tenho cá minhas razões pra pensar na fantasia... O falso da vida que trago comigo me inspira a tentar criar algo novo. Não acho honesto viver sem fantasia. Não acho justo viver sem fantasia. Viver sem ilusão, não é viver. Palavras iludem. Pessoas iludem. Sentimentos são inventados, fantasiados. Há em mim o paralelo entre a dor ficcional e o verdadeiro sorriso. A lágrima real e o amor imaginário. A dignidade exposta nas verdades das coisas fere tanto, mas tanto, que a gente finge que mente, finge que acredita, finge que é de verdade, finge que é de mentira. A gente se ilude tanto a ponto da crença transpor a farsa. A voz, a graça, o vento, o pensamento, a valsa... Tudo fantasia.


Milla Borges

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Ele x Ela II


Ele ensina. Ela não aprende. Ele chama. Ela vai. Ele ignora. Ela espera. Ele sorri. Ela registra. Ele escreve. Ela lê. Ela escreve. Ele nem liga. Ela liga. Ele não atende. Ela chama. Ele recusa. Ela fala. Ele brinca. Ela fica feliz... Ele se move. Ela para. Ele ignora. Ela chora. Ela busca. Ele esquiva. Ela insiste. Ele sai fora. Ela na dele. Ele em outras. Ele estranho. Ela mais ainda. Ele confuso. Ela dispersa. Ele disperso. Ela confusa. Ele nada. Ela tudo. Ele nada. Ela talvez. Ele nada. Ela bem pouco. Ele nada. Ela cansada. Ele indiferente. Ela também. Ele as outras. Ela mais ela. Ele? Ah, meu amigo... Ele perdeu.

Milla Borges 

domingo, 5 de outubro de 2014

Seduzida pela palavra III


Numa tentativa desesperada de encontrar as palavras certas, calei.
O silêncio às vezes fala mais alto.

Milla Borges

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

"A quem interessar possa..."


Quando ideias, sentimentos ou sensações ficam martelando na mente e no coração a ponto de criar esse desassossego aqui dentro, é a hora de desapegar.
Nada de estratégias, joguinhos ou confusões sentimentais. Pode até ser um pouquinho de carência ou até mesmo a ansiedade de sempre, mas qualquer coisa que possa tirar um pouco a minha paz, deve ser cuidadosamente recolhida do cotidiano e posta de lado.
Não tenho mais paciência para as minhas teimosias.
Não adianta. Chega um momento em que é preciso largar as cismas.
Deu, deu. Não deu, paciência. Cultivar expectativas cansam muito...
A vibe é canalizar a energia para realizar os sonhos.  E também não se importar com quem não se importa muito. Pra que, né?! Grandes mudanças estão por vir, foco nelas. A vida é tão curtinha para tanta preocupação... Há tantos planos, "há tantas pessoas especiais..."
Eu viajo, eu me empolgo com coisas e pessoas, vou láááá nas nuvens e, de vez em quando, como uma epifania, recebo um golpe de lucidez e tudo se esclarece. Que bom.
Pés nos chão.
Parabéns pra mim.

Desencanando em 3, 2, 1...

Milla Borges