quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Fantasia


Tenho cá minhas razões pra pensar na fantasia... O falso da vida que trago comigo me inspira a tentar criar algo novo. Não acho honesto viver sem fantasia. Não acho justo viver sem fantasia. Viver sem ilusão, não é viver. Palavras iludem. Pessoas iludem. Sentimentos são inventados, fantasiados. Há em mim o paralelo entre a dor ficcional e o verdadeiro sorriso. A lágrima real e o amor imaginário. A dignidade exposta nas verdades das coisas fere tanto, mas tanto, que a gente finge que mente, finge que acredita, finge que é de verdade, finge que é de mentira. A gente se ilude tanto a ponto da crença transpor a farsa. A voz, a graça, o vento, o pensamento, a valsa... Tudo fantasia.


Milla Borges