segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Gênesis


Eu era quase um ser estranho cujos problemas de um mundo inteirinho pesavam sobre os meus ombros, embora esse mundo fosse o meu mundo eu não tinha tanta responsabilidade e, portanto, não cabia a mim a resolução de todos os problemas. Mas, mesmo assim, as pessoas que me habitavam insistiam em despejar em meus espaços seus desamores, desafetos e desilusões. Não! Não tenho culpa! Chega! Não quero saber... E não querer saber foi a salvação antes de um final apocalíptico.

Como devolver ao mundo esse mundo que mora aqui na minha cabeça?

Houve uma morte minha, tão minha e tão intensa, mas passado o trauma eu escolhi renascer. E renascendo, tive então que reviver. E revivendo tive então que reaprender. E reaprendendo tive então que reerrar e recair e reerguer. Até que um dia, bem sei, irei remorrer. E então renascer... Ciclo eterno...

"A vida é tão rara." Já dizia a canção...

Acontece que, pelo menos, eu não tenho mais pressa. Tenho certa fé na espera e fé em mim. Isso ajuda muito a ser quem eu sou de verdade. Pensei muito nas minhas mudanças e vi que realmente algumas são tão urgentes e tão necessárias, mas não adianta... Com pressa nada se resolve. E não adianta... Não vou (e nem quero) me tornar outra pessoa. Queria apenas ter o privilégio de me presentear com uma versão melhorada de mim para habitar o mundo novo que se cria aqui.
Depois do caos há muita fumaça, a vista fica um tanto embaçada, porém é bonito ver as coisas irem clareando pouco a pouco... É lindo quando um feixe de luz solar rasga as nuvens e atravessa toda fumaça espessa até tocar o chão. E então tudo vira claridade... E se ilumina.

É como o Chico disse mesmo... "Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda pião. O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração..."

Nesse mundo pós apocalíptico tem muita coisa para reconstruir e sei que a reconstrução vai dar bastante trabalho. Mas é muito bom colocar a casa em ordem... Revirar as gavetas, jogar fora aquilo que não serve mais e preencher os espaços com as coisas novas. (Não todos os espaços... É muito importante deixar um lugarzinho vazio para que haja movimento). Decorar o mundo com flores...
Decorar a existência com vida... Decorar o rosto com um belo sorriso... Decorar o coração com uma paz branquinha e verdadeira...
Esse aí é meu mundo. Meu novo lar. Meu lugar para ser eu mesma.

 Milla Borges

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